sábado, 29 de agosto de 2009

MEDIUNIDADE ÚTIL



"O desenvolvimento da mediunidade se processa na razão do desenvolvimento moral do médium? - Não. A faculdade propriamente dita é orgânica, e portanto independe da moral. Mas já não acontece o mesmo com o seu uso, que pode ser bom ou mau, segundo as qualidades do médium." - O Livro dos Médiuns, cap. 20 - 226 - § 1



Comparemos a mediunidade à eletricidade.

Ambas são, em si, forças neutras. Os resultados obtidos com a sua aplicação

dependerão exclusivamente de dosagem e direcionamento.

Da mesma forma, não é a simples presença da faculdade mediúnica que

eleva ou compromete o indivíduo, mas sim o uso que se faz dela, mediante o

livre-arbítrio.

Toda força psíquica necessita de educação para converter-se em recurso útil. E a

educação se consolida de dentro para fora, compreendendo fases distintas, quais

sejam o registro, a conscientização, a assimilação e a adoção de hábitos

que passam a reger o comportamento.

No caso da prática mediúnica, esses princípios devem estar alicerçados na ética e

na disciplina. Por isso, educar a mediunidade significa, antes de tudo, reeducar a si

mesmo, de dentro para fora.

Alheios a isso, inúmeros companheiros maravilham-se com a presença da

faculdade em si mesmos, mas ignoram as tendências que carregam no próprio campo

moral, esquecendo-se que tais tendências podem significar a diferença entre o triunfo e

o fracasso.

Por essa razão, a Doutrina Espírita recomenda que o desenvolvimento

mediúnico faça parte de um programa maior, envolvendo a reforma interior da criatura

em todos os aspectos.

Para isso, é necessário um mergulho interno que ultrapasse a superficialidade

do fenômeno e vá além das barreiras do ego.

Conhecer-se melhor para melhor atuar no intercâmbio com o Além.

Conscientizar-se das próprias forças psíquicas a fim de canalizá-las

adequadamente, de maneira que representem elemento útil na obra de construção

moral do planeta.

Renovar hábitos para ensejar o clima propício às comunicações úteis.

Assimilar as leis morais que regem o cosmos, fazendo-as vibrar no próprio

universo interior.

Exteriorizar o bem por meio de pensamentos e atos, para que o bem,

representando nossa vinculação com a Consciência Cósmica, nos sustente a

marcha e nos credencie ao trabalho junto dos edificadores da Nova Era.

Sem isso, a mediunidade não passará de força fora de controle, cujas

consequências serão sempre imprevisíveis.

(De "Mediunidade - Autoconhecimento", de Clayton Levy, pelo Espírito
Augusto).

MENSAGEIRA BENDITA


Espera, coração! Espera e ama,

Recebe a provação por noite imensa,

No prelibar de excelsa recompensa,

A madrugada aberta em vida e flama!

Entende e passa! Extrai de cada ofensa

O ensejo da bondade que te chama,

Rompe a estrada de angústia, névoa e lama,

Sem que o pranto da mágoa te não vença.

No lodo, a fonte ingênua desabrocha

E nos dentes graníticos da rocha,

Adoça e alimpa as águas benfazejas!

Coração, ama e espera o porvir, crente

Dirás à dor, um dia, alegremente:

- "Mensageira da luz, bendita sejas!"

Auta de Souza

(De "Sonetos de Vida e Luz", de Waldo Vieira -
Espíritos diversos)

MENSAGEM FRATERNA


Guarde-se do mal e defenda-se dele com a realização do bem operante.

Há muito que fazer, valorizando a oportunidade

e serviço que surge inesperada.

A intriga não merece a atenção dos seus ouvidos.

A injúria não merece o respeito da sua preocupação.

A ingratidão não merece o respeito da sua preocupação.

A ofensa não merece o zelo da sua aflição.

O ultraje não merece o seu revide verbalista.

A mentira não merece a interrupção das suas nobres tarefas.

A exasperação não merece o seu sofrimento.

A perseguição gratuita não merece a sua solicitude.

A maledicência não merece o alto-falante da sua garganta.

A inveja não merece o tempo de que você necessita para o trabalho nobre.

Abra os braços ao dever, firme-se no solo do serviço,

abrace-se à cruz da responsabilidade, recordando o madeiro

onde expirou o Cristo e, em perfeita magnitude, desafie a fúria do mal.

O lídimo cristão é fiel servidor.

(De "Legado Kardequiano", de Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito Marco Prisco)

sábado, 15 de agosto de 2009

A IDEIA DE DEUS



Viviam, num edifício de sete andares, moradores cujos olhos jamais tinham contemplado a luz do sol, a não ser através das vidraças diversamente coloridas de cada pavimento. Encerrados nos limites de seu pequeno mundo, cada qual fazia uma idéia diferente quanto à cor da luz solar. Os moradores do primeiro pavimento diziam que era vermelha, porque vermelhos eram os vidros, através dos quais se habituaram a vê-la.

Os do segundo pavimento diziam, por sua vez, que era alaranjada, porque alaranjados eram os vidros pelos quais ela diariamente se filtrava.

Os do quarto, diziam que era verde. Os do quinto, azul. Os do sexto, anil e os do sétimo diziam que era violeta.

Certo dia, porém, um morador mais inteligente e indagador resolveu sair do edifício e, surpreendido com a luz do sol, que lá no alto se decompunha na policromia do arco-íris, compreendeu logo que cada morador havia apreendido somente uma parcela da verdade.

Tudo se passava exatamente como se cada um deles, em seu próprio pavimento, tivesse a visão limitada a uma faixa apenas, dentre as sete faixas luminosas do espectro solar.

A luz do sol era realmente da cor sob que cada qual a tinha visto, mas era também muito mais do que isso: era a síntese das sete cores.

Assim como cada morador via o Sol, assim também cada criatura humana vê Deus.

Situado em diferentes faixas da evolução, cada um O verá sob um aspecto diferente, segundo a diversa coloração de seu entendimento.

Chegará, no entanto, um dia em que a criatura transcenderá os augustos limites de seu mundo e compreenderá Deus, em sua essência, na síntese de seus atributos.

(De "O Primado do Espírito", de Rubens Costa Romanelli)

O MINUTO


A conduta indica a orientação espiritual da criatura.

Surge o ideal realizado, consoante o esforço de cada um.

Amplia-se o ensino, conforme a aplicação do estudante.

Eternidade não significa inércia, mas dinamismo incessante.

O caminho é infinito.

Quem estabelece a rota da viagem é o viajor.

Continua, pois, em marcha perseverante, gastando sensatamente o tesouro dos dias.

Em sessenta segundos, a lágrima pode transformar-se em sorriso, a revolta em resignação e o ódio em amor.

Nessa mínima parcela da hora, liberta-se o espírito do corpo humano, a flor desabrocha, o fruto maduro cai da árvore e a semente inicia a germinação da energia latente.

Analisa o que fazes de tão valiosa partícula do tempo.

Num só momento, o coração escolhe roteiro para o caminho.

Com o Evangelho na consciência, o lazer é tão-somente renovação de serviço sem mudança de rumo.

Não desprezes o tempo, em circunstância alguma, pois quem espera a felicidade se esmera em construí-la.

A hora perdida é lapso irreparável.

Dominar o relógio é coordenar os sucessos da vida.

Nos domínios do tempo, controlamos a hora ou somos ignorados por ela.

Por isso, quanto mais a alma se eleva em conhecimento, mais governa os próprios horários.

Lembra-te de que as edificações mais expressivas são formadas por agentes minúsculos e de que o século existe em função dos minutos.

Não faz melhor quem faz mais depressa, mas sim quem faz com segurança e disciplina, articulando ordenadamente os próprios instantes.

Observa os celeiros de auxílio de que dispões a não hesites.

Distribui os frutos da inteligência.

Colabora nas tarefas edificantes.

Estende a solidariedade a benefício de todos.

Fortalece o ânimo dos companheiros.

Não te canses de ajudar para que se efetue o melhor.

O manancial do bem não tem fundo.

A paz coroa o serviço.

E quem realmente aproveita o minuto constrói caminho reto para a conquista da vitória na Divina Imortalidade.

(De "Sol nas Almas", de Waldo Vieira, pelo Espírito de André Luiz)

ESFORÇO E ORAÇÃO




"E despedida a multidão, subiu ao monte a fim de orar, à parte. E, chegada já a tarde, estava ali só." MATEUS, 14:23.

De vez em quando, surgem grupos religiosos que preconizam o absoluto retiro das lutas humanas para os serviços da oração.

Nesse particular, entretanto, o Mestre é sempre a fonte dos ensinamentos vivos. O trabalho e a prece são duas características de sua atividade divina.

Jesus nunca se encerrou à distância das criaturas, com o fim de permanecer em contemplação absoluta dos quadros divinos que lhe iluminavam o coração, mas também cultivou a prece em sua altura celestial.

Despedida a multidão, terminado o esforço diário, estabelecia a pausa necessária para meditar, à parte, comungando com o Pai, na oração solitária e sublime.

Se alguém permanece na Terra, é com objetivo de alcançar um ponto mais alto, nas expressões evolutivas, pelo trabalho que foi convocado a fazer. E, pela oração, o homem recebe de Deus o auxílio indispensável à santificação da tarefa.

Esforço e prece completam-se no todo da atividade espiritual.

A criatura que apenas trabalhasse, sem método e sem descanso, acabaria desesperada, em horrível secura do coração; aquela que apenas se mantivesse genuflexa, estaria ameaçada de sucumbir pela paralisia e ociosidade.

A oração ilumina o trabalho e a ação é como um livro de luz na vida espiritualizada.

Cuida de teus deveres porque para isso permaneces no mundo; mas nunca te esqueças desse monte, localizado em teus sentimentos mais nobres, a fim de orares "à parte", recordando o Senhor.

Emmanuel

(De "À Luz da Oração", de Francisco Cândido Xavier - Espíritos Diversos)

AQUISIÇÃO DA PAZ

"A minha paz vos dou" - acentuou Jesus, diante dos complexos conflitos e sofrimentos humanos.

O problema da paz, no entanto, recebe enfoques, quase sempre, de resultados imediatistas, confundindo-se-lhe a realidade com o ópio do repouso, o letargo da ociosidade ou o doce encantamento dos fenômenos circunstanciais: paisagens, posturas, músicas, conversações...

Sem dúvida, esses fatores podem propiciar estados de bem-estar, de renovação de forças, de estesia.

Passados, porém, os seus efeitos, irrompem os conflitos e tormentos, assomam as necessidades não superadas, tomam campo na mente os desencantamentos em relação a pessoas e tarefas, que agora parecem não mais corresponder ao anelado.

*

A Terra prossegue sendo escola de luta e de renovação, desafiando seus habitantes que devem mudar a estrutura moral nela ainda vigente.

A paz, portanto, conforme pretendem muitos homens, apresenta-se utópica.

Só mais tarde, quando concluídos os compromissos asperamente enfrentados, é que a consciência individual despertará para a plenitude, portanto, para a paz.

Ademais, enquanto se aspira por elevação, novos embates se delineiam, impedindo o repouso, a contemplação, a paz feita de quimeras e de sonhos.

*

Trabalha pelo bem do teu próximo, suando e cansando-te na ação, sem excogitares, de início, pela aquisição imediata da paz.

Mantém-te sereno, seja onde for e com quem for, como efeito da tua segurança de fé e consciência do dever.

Não te impressiones com palavras e dissimulações, com ambientes e circunstâncias.

Aprende com a vida e fixa-te em Jesus, que nunca defrauda aqueles que O buscam.

É longo o caminho pela frente a percorrer.

Não te detenhas em relatórios da emoção que passa, e segue adiante fiel ao teu compromisso com a verdade.

"A minha paz vos deixo, a minha paz vos dou", afirmou Jesus, portanto, só Ele a pode oferecer de acordo com as tuas e as nossas necessidades.

(De "Luz da Esperança", de Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito Joanna de Ângelis)