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quinta-feira, 29 de outubro de 2009

KARDEC ESCLARECE


A ALEGORIA DA QUEDA DO HOMEM NA BÍBLIA

O dogma da queda do homem é sustentado no campo religioso como um dos mistérios de Deus, impenetrável à inteligência humana. Seu fundamento bíblico é o cap. III do Gênesis. Todos conhecem a lenda poética da árvore proibida, no meio do jardim do Éden, com a serpente demoníaca (a píton grega) enganando Eva, que leva Adão ao pecado original da desobediência. Mas em virtude do dogmatismo fideísta das religiões, poucas pessoas admitem a natureza alegórica desse conto ingênuo. O símbolo está evidente, à flor da pele. Mas os que consideram a Bíblia como a palavra de Deus não podem admiti-lo. Entendem a alegoria como realidade divina, tomando-a simplesmente ao pé da letra.

Kardec explica em A Gênese, Ca. XII, toda a simbologia dessa passagem bíblica: Adão é a personificação da Humanidade e sua falta representa a fragilidade humana; a árvore da vida é o símbolo da vida espiritual, que desenvolve a consciência humana e o livre-arbítrio da criatura; o fruto proibido está no meio do jardim de delícias, porque é a tentação dos prazeres materiais; a desobediência de Adão e Eva é a violação das leis de Deus pela concupiscência do homem; a serpente é a imagem da perfídia, da maldade humana que incita os outros ao erro. Pergunta Kardec: "Por que impor à fé ingênua da credulidade infantil, como verdades, alegorias tão evidentes, falseando o seu julgamento e fazendo-as mais tarde encarar a Bíblia como um conjunto de fábulas absurdas"? Além disso, Kardec estuda o verdadeiro sentido dos termos bíblicos em sua origem hebraica e estabelece comparações entre o texto sagrado e conhecidas alegorias mitológicas. A forma das alegorias bíblicas é bela e o seu sentido é profundo. Mas essa beleza e essa profundidade são transformadas em absurdo e ridículo pela interpretação literal.

(De "Visão Espírita da Bíblia", de J. Herculano Pires)

sábado, 5 de setembro de 2009

ASPECTOS DA MEDIUNIDADE


No exercício da mediunidade, podemos considerar, entre outros, três aspectos essenciais.

A comunicação edificante, a atividade superficial e a conscientização profunda.

*

A comunicação edificante, com características renovadoras, sugerindo a conquista de valores sublimados, voltando-se para o bem de todos, no que toca ao amor e ao esclarecimento, envolve uma série de fatores que não podem deixar se levados em conta, sob pena de o medianeiro deparar-se, mais tarde, com funestas conseqüências.

Espírito de sacrifício.

Desinteresse material.

Esses fatores ajudam o médium no sentido de que o desempenho de seus compromissos corresponda à própria programação da Espiritualidade Maior.

*

A atividade mediúnica que se incline para a superficialidade, atendendo à curiosidade inócua, ao menosprezo ao bem ou à leviandade, em qualquer de suas modalidades, diverge dos valores eternos que formam a base da mediunidade.

*

A conscientização profunda orientar-se-á, invariavelmente, segundo os padrões evangélicos e doutrinários.

Teor construtivo, tendo em vista o Amor e a Sabedoria.

Esclarecimento geral, para que a comunidade se beneficie do conteúdo moral e intelectual das comunicações.

Disseminação da fé sincera e raciocinada.

Conceitos que elevem o sentimento, iluminem o coração e engrandeçam o raciocínio.

Formação de bases cristãs que santifiquem as relações entre as criaturas humanas.

Informes seguros e lógicos, sensatos e harmoniosos que revelem consenso com o Evangelho e o Espiritismo.

*

Como legatários dos tesouros mediúnicos, cabe-nos, sem dúvida, preservar a sua grandeza ante as perspectivas da Espiritualidade e da própria vida.

(De "Mediunidade e Evolução", de Martins Peralva)

sábado, 29 de agosto de 2009

MEDIUNIDADE ÚTIL



"O desenvolvimento da mediunidade se processa na razão do desenvolvimento moral do médium? - Não. A faculdade propriamente dita é orgânica, e portanto independe da moral. Mas já não acontece o mesmo com o seu uso, que pode ser bom ou mau, segundo as qualidades do médium." - O Livro dos Médiuns, cap. 20 - 226 - § 1



Comparemos a mediunidade à eletricidade.

Ambas são, em si, forças neutras. Os resultados obtidos com a sua aplicação

dependerão exclusivamente de dosagem e direcionamento.

Da mesma forma, não é a simples presença da faculdade mediúnica que

eleva ou compromete o indivíduo, mas sim o uso que se faz dela, mediante o

livre-arbítrio.

Toda força psíquica necessita de educação para converter-se em recurso útil. E a

educação se consolida de dentro para fora, compreendendo fases distintas, quais

sejam o registro, a conscientização, a assimilação e a adoção de hábitos

que passam a reger o comportamento.

No caso da prática mediúnica, esses princípios devem estar alicerçados na ética e

na disciplina. Por isso, educar a mediunidade significa, antes de tudo, reeducar a si

mesmo, de dentro para fora.

Alheios a isso, inúmeros companheiros maravilham-se com a presença da

faculdade em si mesmos, mas ignoram as tendências que carregam no próprio campo

moral, esquecendo-se que tais tendências podem significar a diferença entre o triunfo e

o fracasso.

Por essa razão, a Doutrina Espírita recomenda que o desenvolvimento

mediúnico faça parte de um programa maior, envolvendo a reforma interior da criatura

em todos os aspectos.

Para isso, é necessário um mergulho interno que ultrapasse a superficialidade

do fenômeno e vá além das barreiras do ego.

Conhecer-se melhor para melhor atuar no intercâmbio com o Além.

Conscientizar-se das próprias forças psíquicas a fim de canalizá-las

adequadamente, de maneira que representem elemento útil na obra de construção

moral do planeta.

Renovar hábitos para ensejar o clima propício às comunicações úteis.

Assimilar as leis morais que regem o cosmos, fazendo-as vibrar no próprio

universo interior.

Exteriorizar o bem por meio de pensamentos e atos, para que o bem,

representando nossa vinculação com a Consciência Cósmica, nos sustente a

marcha e nos credencie ao trabalho junto dos edificadores da Nova Era.

Sem isso, a mediunidade não passará de força fora de controle, cujas

consequências serão sempre imprevisíveis.

(De "Mediunidade - Autoconhecimento", de Clayton Levy, pelo Espírito
Augusto).

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Os animais


Os animais tem sentimentos de amor, saudade, ódio, entre outros, mas sobre as causas de suas dores encontrei um texto que vai esclarecer mais sobre o assunto:

— E dor nos animais? Não tendo inteligência, livre-arbítrio ou consciência, suas ações, necessariamente instintivas, apenas visam a sobrevivência. E em assim sendo, como lhes imputar culpa e o respectivo resgate?
Partindo da premissa de que Deus é a Perfeição Suprema e o Amor Absoluto, em nenhuma hipótese poderíamos aventar a menor possibilidade de que isso consista injustiça ou equívoco da natureza.
Outro tem que ser o enfoque.
Aqui, entra em cena a condição esclarecedora do Espiritismo.

Vamos nos demorar mais um pouco nas reflexões sobre a dor, de modo geral:
a. Em “A Gênese”, Cap III, Allan Kardec filosofa com grande profundidade sobre o bem e o mal, analisando detalhadamente sobre instinto e inteligência e, particularmente, sobre a “destruição dos seres vivos uns pelos outros”. No item 21, esclarece que “a verdadeira vida, tanto do animal como do homem, não está no invólucro corporal, do mesmo modo que não está no vestuário. Está no princípio inteligente que preexiste e sobrevive ao corpo”. Aqui, já temos conteúdo suficiente para refletir que danos físicos que destruam a matéria, isto é, dos quais resulte a morte, não destruem o espírito (naturalmente, revestido do perispírito, que os animais também os têm, embora de matéria mais rudimentar que a humana).
Prossegue Kardec, agora no item 24: “nos seres inferiores da criação, naqueles a quem ainda falta o senso moral, em os quais a inteligência ainda não substituiu o instinto, a luta é pela satisfação da imperiosa necessidade — a alimentação; lutam unicamente para viver; é nesse primeiro período que a alma se elabora e ensaia para a vida”.
b. O Espírito Emmanuel nos esclarece, de forma a não deixar quaisquer dúvidas, que a dor representa aprendizado, constante da trilha evolutiva de cada ser vivo, rumo à evolução; essa informação é textual, cristalina e não deixa margem a derivações filosóficas. Ei-la:
“Ninguém sofre, de um modo ou de outro, tão-somente para resgatar o preço de alguma coisa. Sofre-se, também, angariando os recursos preciosos para obtê-la.
Assim é que o animal atravessa longas eras de prova a fim de domesticar-se, tanto quanto o homem atravessa outras tantas longas eras para instruir-se.
Espírito algum obtém elevação ou cultura por osmose, mas sim através de trabalho paciente e intransferível.
O animal igualmente para atingir a auréola da razão deve conhecer benemérita e comprida fieira de experiências que terminarão por integrá-lo na posse definitiva do raciocínio.
Dor física no animal é passaporte para mais amplos recursos no domínios da evolução”.
(O REFORMADOR, Junho, 1987 - FEB).
Assim, mesmo que para muitos de nós tal seja penoso aceitar, prudente será refletir muito sobre o tema e sobre o quanto ainda ignoramos das coisas de Deus; alenta-nos considerar, com veemência, que o Pai jamais abandona qualquer dos Seus filhos. Com essa certeza, fica afastada, "ab initio", que a crueldade que vitima animais seja indiferente à Vida e ao Amor de Deus, presente no infinitamente perfeito Plano da Criação.
c. Juvanir Borges de Souza, em “Tempo de Renovação”, Cap 20, pág. 164, Ed.FEB, 1989, arremata: “para bem compreendermos o papel da dor será necessário situá-la como a grande educadora dos seres vivos, com funções diferentes no vegetal, no animal e no homem, mas sempre como impulsionadora do processo evolutivo, uma das alavancas do progresso do princípio espiritual” (grifamos).

Diante das assertivas acima, refletimos:
- animais sofrem para que registrem em sua memória espiritual, eterna, que a dor dói, é ruim; assim, ao evoluírem, alcançando a inteligência, já trarão na bagagem cognitiva, que a dor deve ser evitada - a própria, por auto-preservação e a do próximo, por ser esse um dos conselhos de Jesus para a evolução espiritual;
- nada nos impede de considerar que a dor, nos animais, completado o aprendizado, não mais se repetirá, sendo muito provável que ao desencarnarem, seja em que condições sejam, o sofrimento é interrompido no ato da desencarnação e sob patrocínio caridoso dos Missionários do Amor Eterno;
- aliás, não cremos que seja necessária mais de uma experiência dolorosa, para fixação do aprendizado; como existem milhares de espécies e milhões de moradas no Universo, há grande probabilidade que os animais percorram muitos desses mundos, em corpos adequados, acumulando experiências;
- como a restauração perispirítica é uma realidade do Plano Maior, nada nos impede também de imaginar que os perispíritos dos animais, se danificados, ali serão recompostos por Geneticistas Siderais, os mesmos que promovem as modificações tendentes à escala evolutiva da espécie (vide “A Caminho da Luz”, Cap “A Grande Transição”);
- se animais forem "anestesiados" por Espíritos Protetores, na hora do abate, para evitar a dor, ali não ocorreria fixação do aprendizado evolutivo; contudo, nada nos objeta raciocinar que em muitos, muitos casos mesmo, isso ocorra, porém em outras circunstâncias; por exemplo: quando a crueldade humana esteja presente, infligindo sofrimento a animais cujo programa reencarnatório não o previa;
- aos Espíritos que amam os animais, a eles provavelmente é delegada a função de orientar as espécies animais quando no plano espiritual e de os proteger, quando no material; neste, fazem-no com abnegação e amor, criando "habitats" e mantendo os ecossistemas; assistindo-os nos momentos difíceis pelos quais passam; consideremos, por exemplo, que quando um predador de grande potencial ofensivo (nunca se esquecer que foram os Promotores da Vida que disso o equiparam...) ataca uma indefesa presa (também de organismo engendrado pelos Guardiões da Vida Eterna), Deus está presente num e noutro animal; pela Lei do Progresso, certamente, no avançar do tempo, os papéis talvez sejam invertidos, após o que, ambos já terão em sua memória espiritual tal lembrança (automatismo biológico-espiritual); atingindo a razão/inteligência, só cometerão violência por auto-decisão, a bordo do livre-arbítrio; e, a partir do livre-arbítrio, a evolução passa a ser balizada pela Lei de Causa e Efeito - Ação e Reação.

Por oportuno, vejamos alguns trechos das sempre elucidativas instruções de Allan Kardec, Espírito, clareando o assunto, através mensagem contida em “O Diário dos Invisíveis”, psicografada por Zilda Gama (p. 73 a 75 da 1ª Ed., 1927, Editora O Pensamento):
(...)
“Bem sabeis que a dor, física e moral, é a lixívia que alveja a alma enodoada do ser consciente e responsável por seus atos; é a lâmpada que a inunda de luz, tornando-a eternamente radiosa.
(...)
Se só o homem fosse suscetível à dor e às enfermidades e os irracionais tivessem os organismos imunes ao sofrimento, insensíveis como o aço, romper-se-ia o elo que os vincula pela matéria, que é semelhante em todos os animais.
(...)
Os animais, quer os de constituição semelhante à do homem, quem os de organismos imperfeitos, não padecem, como os racionais, unicamente para progredir espiritualmente, pois são inconscientes e irresponsáveis, mas Deus, que tudo prevê, não os fez insensíveis à própria defesa e conservação, como meio de serem domesticados, tornando-os úteis às coletividades.
Um cavalo que fosse indiferente à dor seria capaz de precipitar-se, com o cavaleiro, ao primeiro abismo que se lhe deparasse, tentando livrar-se da sela e da carga importuna que lhe tolhem os movimentos, privando-o de viver às soltas pela vastidão dos prados ou à sombra das florestas. Por que recuam, temerosos, ante a ameaça de um calhau ou de uma farpa, um cão ou um touro enfurecido? Com receio do sofrimento que teriam se fossem por eles atingidos
(...)
Os irracionais necessitam da dor, para que possam, em estado de liberdade, defender a própria vida, temer as sevícias, sofrear os impulsos ferozes, procurar repouso e alimento, tornar-se menos perigoso ao homem, manter o instinto de conservação, que não teriam, se os seus corpos fossem desprovidos de sensibilidade. O homem progride mais pelos padecimentos morais que pelos físicos; nos irracionais predominam estes sobre aqueles.
(...)
A dor é útil aos animais para que os fracos e pequenos se defendam dos fortes e cruéis, procurando esconderijos inacessíveis a seus adversários nas furnas ou nas mais altas frondes”.

Fonte: http://www.feal.com.br/colunistas.php?art_id=11&col_id=31

terça-feira, 21 de julho de 2009

IDENTIFICAÇÃO DOS ESPÍRITOS





Questão grave, a de identificação dos Espíritos, nos fenômenos mediúnicos.

Utilizando-se de um equipamento muito complicado, nem todos os comunicantes sabem manipulá-lo como seria de desejar.

Além disso, as próprias complexidades e circunstâncias em que ocorre o fenômeno geram desafios aos mais experientes desencarnados, que se vêem a braços com a vontade e o caráter do médium, no momento das comunicações.

Outrossim, deve-se ter em mente que a morte biológica não é igual para todos, sendo o despertar na ultra tumba conforme o comportamento vivenciado durante toda a existência corporal.

Tomando consciência da realidade na qual ora se encontram, os Espíritos lúcidos passam a experimentar verdadeira revolução conceptual, obrigando-se a reconsiderar opiniões e objetivos aos quais se aferravam antes da libertação.

A surpresa que lhes assinala a consciência ante outros valores, alguns dos quais lhes eram desconhecidos ou não considerados, fá-los reavaliar o comportamento cultural e emocional, direcionando-os a novas ações, algumas bem diversas daquelas a que se habituaram no corpo somático.

Ampliam-se-lhes os horizontes da compreensão humana, e a visão, a respeito do destino, passa a experimentar uma correção de ângulo, que exige acuradas reflexões e largo esforço reeducativo.

O problema, portanto, da identificação dos Espíritos, é mais de aparência do que de realidade, desde que, qualquer pessoa que ama, não terá dificuldade em descobrir o seu afeto de retorno em mil pequenos ou grandes informes que os tipificam, sem a necessidade mórbida de exigir-lhes minudências e sinais de que eles mesmos se desejam libertar, a fim de avançarem no rumo de outros valores, ricos de paz e alento, que lhes acenam felicidade e união, quando aqueles da retaguarda física, também amados, romperem as algemas de retentiva e seguirem ao seu encontro, num mundo que já preparam, para que lhes seja melhor do que este de provas e expiações de onde procedemos.

(De "Temas da Vida e da Morte", de Divaldo P. Franco, pelo Espírito Manoel P. de Miranda)

domingo, 19 de julho de 2009

MARCO DA REENCARNAÇÃO


ESE - Cap IV Item 24

A reencarnação na Terra tem limites, desde que o Espírito chegue a uma condição de não

mais precisar vestir a roupagem da carne; no entanto, considerando que a reencarnação se

constitui em mudanças, e olhando para a vida eterna plena de transformações, ela se nos

apresenta sem limites, porque as mudanças são permanentes.

Tudo reassume novos corpos na pauta da vida contínua; pode-se dizer, não encontrando

outra expressão, que a vida se compõe de um seqüente movimento. Em todo lugar onde

estagiamos, buscando experiências, existe a oportunidade extrema, nos mostrando o ponto final

que podemos suportar naquele mundo; entretanto, não são extremos permanentes e, sim,

limites do mundo em que estamos e que nós suportamos.

A evolução não tem barreiras; as mudanças são eternas em todas as escalas da vida.

Crescemos sempre, é o que podemos dizer. No ponto em que a humanidade se encontra na

Terra, como mundo de expiações e provas, prestes a sair deste estágio, precisamos

trabalhar dentro de nós, em preparo para alcançar um mundo de regeneração. Assim se

processa a subida cada vez melhor, até a depuração espiritual que a vida pode nos oferecer.. E

a Doutrina Espírita nos fala desta verdade, notícia que muito nos agrada, por já sentirmos o

ambiente da felicidade; e para tanto, trabalhamos no ambiente do amor.

Os benfeitores espirituais que orientam a humanidade, sob a égide de Jesus, têm uma

grande tolerância, por saberem que o Espírito revestido de carne recebe muita influência do

magnetismo inferior, mas, mesmo assim, deve lutar, porque é no esforço de cada dia que

poderá alcançar a liberdade, dominando as paixões.

Nada tem limites, a não ser nos estágios, mas para adentrar em outra seqüência de

aperfeiçoamento; assim é a vida, cheia de alegria, amor e caridade. O perispírito pode chegar

à certa elevação de se confundir com o Espírito sujeito à reencarnação na Terra; e o

próprio corpo, em mundos superiores, também se confundir com o perispírito nos mundos

inferiores.Entreguemo-nos, encarnados e desencarnados, à perfeição moral, juntamente com

a sabedoria divina, no sentido de atingirmos um grau elevado do Espírito imortal, doando amor

e espargindo luzes em todas as direções. Essa é a vida naquele ambiente de felicidade

imperturbável.

O Espiritismo nos concita ao trabalho na nossa intimidade, sempre na exemplificação das

virtudes de ouro que o Evangelho de Jesus, na amplitude do amor, nos oferta como

caminho, verdade e vida, considerando o amor como ponto de partida, que é igualmente o

ponto de chegada, por se mostrar em todos os estágios das dimensões. O amor é o hálito de

Deus e o clima onde o Cristo vive.

Estamos vivendo a aproximação do fim dos tempos, onde dominam expiações e provas,

na busca de outro mundo para a nossa regeneração. A humanidade caminha sob a aflição

da dor, contudo,recebe permanentemente lições valiosas, envolvidas com a verdade que

podemos entender como a libertação.

O mundo atual vivem em torno de dois monstros que devoram todas as esperanças, que

se chamam orgulho e egoísmo, que devem ser expulsos das nossas vidas. Basta analisarmos

com ponderação, que encontraremos essas duas feras devorando nossas alegrias.

Lutemos para vencer essa guerra, que entraremos na era da felicidade, sentindo o

Senhor irradiando nas nossas consciências, em completa integração com Jesus, que domina

nossos destinos.

Entendemos que nada tem limites; tudo se transforma, mas sempre para melhor, sendo

Deus a fonte das nossas vidas, em quem devemos confiar e a quem devemos servir com

humildade e amor.

(De: "Máximas de Luz", de João Nunes Maia, pelo Espírito Miramez)

sábado, 11 de julho de 2009

PARASITOSE MENTAL


Avançando em nossos ligeiros apontamentos acerca da obsessão, cremos seja de nosso interesse apreciar o vampirismo, ainda mesmo superficialmente, para figurá-lo como sendo inquietante fenômeno de parasitose mental.

Sabemos que a parasitogenia abarca em si todas as ocorrências fisiopatológicas, dentro das quais os organismos vivos, quando negligenciados ou desnutridos, se habilitam à hospedagem e à reprodução dos helmintos e dos ácaros que escravizam homens e animais.

Não ignoramos também que o parasitismo pode ser externo ou interno.

Nas manifestações do primeiro, temos o assalto de elementos carnívoros, como por exemplo as variadas espécies do aracnídeo acarino sobre o campo epidérmico e, nas expressões do segundo, encontramos a infestação de elementos saprófagos, como, por exemplo, as diversas classes de platielmíntios, em que se destacam os cestóides no equipamento intestinal.

E, para evitar as múltiplas formas de degradação orgânica, que o parasitismo impõe às suas vítimas, mobiliza o homem largamente os vermífugos, as pastas sulfuradas, as loções mercuriais, o pó de estafiságria e recursos outros, suscetíveis de atenuar-lhe os efeitos e extinguir-lhe as causas.

No vampirismo, devemos considerar igualmente os fatores externos e internos, compreendendo, porém, que, na esfera da alma, os primeiros dependem dos segundos, porquanto não há influenciação exterior deprimente para a criatura, quando a própria criatura não se deprime.

É que pelo ímã do pensamento doentio e descontrolado, o homem provoca sobre si a contaminação fluídica de entidades em desequilíbrio, capazes de conduzi-lo à escabiose e à ulceração, à dipsomania e à loucura, à cirrose e aos tumores benignos ou malignos de variada procedência, tanto quanto aos vícios que corroem a vida moral, e, através do próprio pensamento desgovernado, pode fabricar para si mesmo as mais graves eclosões de alienação mental, como sejam as psicoses de angústia e ódio, vaidade e orgulho, usura e delinqüência, desânimo e egocentrismo, impondo ao veículo orgânico processos patogênicos indefiníveis, que lhe favorecem a derrocada ou a morte.

Imprescindível, assim, viver em guarda contra as idéias fixas, opressivas ou aviltantes, que estabelecem, ao redor de nós, maiores ou menores perturbações, sentenciando-nos à vala comum da frustração.

Toda forma de vampirismo está vinculada à mente deficitária, ociosa ou inerte, que se rende, desajustada, às sugestões inferiores que a exploram sem defensiva.

Usemos, desse modo, na garantia de nossa higiene mento-psíquica, os antissépticos do Evangelho.

Bondade para com todos, trabalho incansável no bem, otimismo operante, dever irrepreensivelmente cumprido, sinceridade, boa-vontade, esquecimento integral das ofensas recebidas e fraternidade simples e pura, constituem sustentáculo de nossa saúde espiritual.

— «Amai-vos uns aos outros como eu vos amei» recomendou o Divino Mestre.
— «Caminhai como filhos da luz» — ensinou o apóstolo da gentilidade.

Procurando, pois, o Senhor e aqueles que o seguem valorosamente, pela reta conduta de cristãos leais ao Cristo, vacinemos nossas almas contra as flagelações externas ou internas da parasitose mental.

Dias da Cruz


Fonte:
Do livro "INSTRUÇÕES PSICOFÔNICAS", psicografado pelo médium Francisco Cândido Xavier (Chico Xavier), pelo espírito Dias da Cruz, edição FEB.

terça-feira, 7 de julho de 2009

HEREDITARIEDADE MORAL - 3ª PARTE- Final


Algo semelhante ocorre em relação à vocação, ponta visível de nosso universo íntimo, sem subordinação a fatores hereditários ou ambientes.

Desde a mais tenra infância a criança revela tendências e habilidades relacionadas com determinada atividade que, não raro, surpreendem os adultos.

Se houvesse uma escola para os pais uma disciplina seria indispensável: como ajudar os filhos a seguir suas inclinações, no indispensável casamento entre vocação e profissão.

Quando isto não ocorre, temos verdadeiros desastres:

Maus médicos que seriam excelentes fazendeiros.

Maus advogados que seriam ótimos músicos.

Maus administradores que se dariam bem melhor como operários.

Diz Gibran Khalil Gibran, em "O Profeta":

Vossos filhos não são vossos filhos.

São os filhos e as filhas da ânsia da Vida por si mesma.

Eles vem através de vós mas não são de vós.

E embora convivam convosco, não vos pertencem.

Jesus diz algo semelhante no famoso diálogo com Nicodemos, quando proclama:

O Espírito sopra onde quer; tu lhe ouves a voz, mas ignoras donde ele vem e para onde vai...

Os dois textos aplicam-se à concepção reencarnacionista, dando-nos conta de que os filhos trazem suas próprias aptidões e senso moral.

Podemos e devemos auxiliá-los a desenvolver para o Bem esses valores. Para isso estão juntos de nós.

Consideremos, contudo, que chegará o momento em que seguirão seus caminhos. Então, aprenderão com seus próprios erros e crescerão com seus próprios acertos.

(De "Quem tem medo dos Espíritos?", de Richard Simonetti)

HEREDITARIEDADE MORAL - 2ª PARTE



Por isso os filhos revelam suas próprias características, eminentemente pessoais, sua maneira de ser, não raro em oposição ao lugar em que vivem e aos estímulos que recebem.

A melhor demonstração disso está no próprio lar.

Numa família de cinco filhos, com os mesmos pais, o mesmo ambiente, os mesmos cuidados, sob as mesmas condições, são todos diferentes entre si, como os dedos da mão.

Há um carinhoso; outro que é muito agressivo.

Há o que não gosta de mentir; outro que se destaca por ser amigo do engodo.

Há o fascinado por sons estridentes; outro que prefere música suave.

Há o ávido por aventuras amorosas; outro extremamente comedido no relacionamento afetivo.

Entre pais e filhos, a mesma antítese.

Exemplo marcante: Marco Aurélio e Cômodo.

Marco Aurélio, o mais virtuoso e sábio dos imperadores romanos, imortalizado por seu amor à filosofia e às letras.

Cômodo, seu filho, teria passado anônimo pela História, não fora o lamentável destaque para sua crueldade e devassidão.

A moral, portanto é a carteira de identidade do Espírito, dando-nos conta de que ele é filho de si mesmo, de seus patrimônios íntimos, de suas experiências pretéritas, revelando-nos o estágio de evolução em que se encontra.

***

Noutro dia, referindo-se a uma família onde pais e filhos têm comportamento imoral, sempre dispostos a lesar o semelhante, um amigo comentava:

- É tudo farinha do mesmo saco.

Realmente, isto pode acontecer, não por herança moral ou mera influência ambiente, mas por afinidade.

Uma família de bandidos é constituída por Espíritos que tem essa tendência.

Uma família de gente honesta e digna integra Espíritos do mesmo porte.

Há, ainda, a "ovelha negra", um filho degenerado, de comportamento inconsequente e vicioso, no seio de uma família ajustada. Espírito atrasado que foi acolhido com o propósito de ser ajudado em seu aprendizado.

O inverso também acontece: uma "ovelha branca" entre marginais. Espírito evoluído numa tarefa sacrificial em favor dos familiares.

***

Continua....

(De "Quem tem medo dos Espíritos?", de Richard Simonetti)

HEREDITARIEDADE MORAL



1ª Parte

Frequentemente, os pais transmitem aos filhos a parecença física.

Transmitirão também alguma parecença moral?

Não, que diferentes são as almas ou Espíritos de uns e outros. O corpo deriva

corpo, mas o Espírito não procede do Espírito. Entre os descendentes das raças

apenas há consanguinidade. Questão 207 de O Livro dos Espíritos.

Vários provérbios ressaltam a ideia de que os filhos reproduzem defeitos e qualidades dos pais:

Tal pai, tal filho...

Filho de peixe, peixinho é...

Quem sai aos seus não degenera...

Filhos de gatos, ratos mata...

Filho de burro pode ser lindo, mas um dia dá coice...

Bem, depende do ângulo em que observamos o assunto.

Quanto à estrutura física é notório que funciona a hereditariedade. Filha de pais obesos dificilmente será manequim. Filho de pais magérrimos terá poucas chances de ser lutador de sumo.

Há, também, certo peso hereditário determinando o quociente de inteligência. Pais de QI elevado guardam melhores chances de gerar filhos inteligentes. Pesquisas demonstram isso.

Aqui é preciso levar também em consideração o nível social. Indivíduos de QI elevado obtem maior sucesso profissional, garantindo razoável estabilidade econômico-financeira. Consequentemente seus filhos serão bem nutridos, terão melhores escolas, cuidados médicos adequados, vida mais saudável, opções numerosas de esporte e lazer. Tudo isso favorece o desenvolvimento intelectual.

Imperioso recordar sempre, no estudo da reencarnação, que o Espírito subordina-se às possibilidades do corpo que lhe serve às experiências humanas, como um corredor de Fórmula Um está sujeito às potencialidades de sua máquina. Ayrton Senna, ás do automobilismo mundial, afundaria em ostracismo sem um carro de tecnologia de ponta.

Um gênio da Espiritualidade terá imensas dificuldades em mobilizar seu potencial num corpo subnutrido desde a gestação.

Isso é claramente demonstrado nas experiências com adoção. Filho de favelados humildes, paupérrimos, é adotado por família rica, ainda recém-nascido. Recebe desde logo o que há de melhor em nutrição e cuidados médicos. O confronto deste bebê, na idade adulta, com um irmão que permaneceu na favela, revelará sensível diferença em favor do primeiro.

***

O mesmo não se pode dizer quanto à moral.

Não herdamos a bondade ou a maldade, o altruísmo ou o egoísmo, o vício ou a virtude de nossos pais.

Esses valores não estão impressos nos genes, nem se condicionam à estrutura ou desenvolvimento.

Constituem patrimônio do Espírito.

Há, sem dúvida, também aqui, a influência do meio. A criança é sensível aos exemplos que recebe, ao pressionamento do ambiente em que vive.

Mas é uma influência relativa, mesmo porque a evolução moral opera-se de dentro para fora, a partir da disposição íntima do indivíduo em lutar contra suas imperfeições e deficiências.

Continua.....

(De "Quem tem medo dos Espíritos?", de Richard Simonetti)

quinta-feira, 2 de julho de 2009

OS PODERES DA ORAÇÃO



No Evangelho de Jesus encontramos seus exemplos de dedicação à prece, bem como suas lições que dignificam esse ato.

Pelo Espiritismo sabemos que podemos orar a Deus, a Jesus ou aos Espíritos para glorificar, para pedir algo, para transmitir uma mensagem pessoal ou para agradecer dádivas recebidas. Podemos orar em benefício de nós mesmos ou de nossos semelhantes, amigos ou inimigos, encarnados ou desencarnados. Pela prece podemos ainda revelar nossas imperfeições e rogar amparo para as nossas necessidades e para o nosso progresso material e espiritual.

0 fluido universal, ao formar uma corrente fluídica, serve de meio de transmissão do pensamento e da vontade decorrentes de uma prece. As orações dirigidas a Deus também escutam-nas os Espíritos incumbidos da execução da Vontade Divina. Assim eles podem nos ajudar, influenciar e responder aos nossos pedidos.

0 poder da prece está no pensamento e nos sentimentos (de fé, confiança, fervor e sinceridade) do ser que ora, e não em atos exteriores.

As conseqüências naturais de nossos sentimentos, pensamentos e atos nefastos não são evitadas com uma simples prece de arrependimento. Os sofrimentos, a expiação e as provações são necessárias para adquirirmos experiência e progresso. 0 reequilíbrio final só conseguimos com novas atitudes nas sendas do amor. do bem e das virtudes.

Mas, orando, quando em erro, obtemos, de imediato, de Deus e dos bons Espíritos, que escutam nossas preces, coragem, paciência, resignação, força moral, recursos salutares e a inspiração de idéias e ações nobres que nos levem a vencer as dificuldades, e nos dão o direito e os méritos ao retorno à saúde, à felicidade e ao bem-estar.

NOVAS REVELAÇÕES SOBRE A ORAÇÃO

Alguns Espíritos, através de diferentes médiuns, têm-nos revelado importantes informações complementares sobre a oração. A seguir, elas estão relacionadas, com transcrição de pequenos trechos de livros, para maior clareza e melhor compreensão delas:

SEMPRE HÁ RESPOSTAS ÀS PRECES: "Não há prece sem resposta. E a oração, filha do amor, não é apenas súplica. E comunhão entre o Criador e a criatura, constituindo, assim, o mais poderoso influxo magnético que conhecemos." (André Luiz e Xavier, F.C., "Os Mensageiros", FEB, 24." edição, pág. 136.)

A PRECE TRANSMITE AS IMAGENS DO DESEJO E DO PENSAMENTO: "A prece impulsiona as recônditas energias do coração, libertando-as com as imagens de nosso desejo, por intermédio da força viva e plasticizante do pensamento, imagens essas que, ascendendo às Esferas Superiores, tocam as inteligências visíveis ou invisíveis que nos rodeiam, pelas quais comumente recebemos as respostas do Plano Divino, porquanto o Pai Todo-Bondoso se manifesta igualmente pelos filhos que se fazem bons." (Emmanuel e Xavier, F. C., "Pensamento e Vida", FEB, 9." edição,pág. 121.)

A PRECE MOBILIZA EXÉRCITOS DE TRABALHADORES DO PAI: "A oração, elevando o nível mental da criatura confiante e crente no Divino Poder, favorece o intercâmbio entre as duas esferas e facilita nossa tarefa de auxílio fraternal. Imensos exércitos de trabalhadores desencarnados se movimentam em toda parte, em nome de nosso Pai." (André Luiz e Xavier, F. C., "Missionários da Luz", FEB 22." edição, página 333.)

AS ORAÇÕES SÃO TRATADAS POR ESPÍRITOS NOMEADOS PARA ESSE FIM: "Deveis saber que há aqui, nomeados para a prece, guardas cujo dever é analisar e escolher as oferecidas pelos habitantes da Terra, separá-las em classes e grupos, e passá-las adiante para serem examinadas por outros e atendidas de acordo com o seu merecimento e força. (...) há também preces que se nos apresentam sob tão profundo aspecto, que ficam fora do alcance dos nossos estudos e conhecimentos.

Estas, nos as passamos para os de gradação mais elevada, para que as tratem em vista do seu maior saber." (OWEN, Rev. G. Vale, "A Vida Além do Véu", FEB, 5. edição, pág. 179.)

"Petições semelhantes a esta elevam-se a Planos Superiores e aí são acolhidas pelos emissários da Virgem de Nazareth, a fim de serem examinadas e atendidas, conforme o critério da verdadeira sabedoria." (André Luiz e Xavier, F, C., "Ação e Reação", FES, 14". edição, pág. 158.)

OS TIPOS DE PRECES SÃO CONSIDERADOS PARA SE DEFINIR OS SOCORROS NECESSÁRIOS: "Nossa especialidade é examinar as preces dos seres terrenos, acudindo às Casas de Oração ou qualquer lugar onde há um Espírito que pede e que sofre. As rogativas de cada um, então, são anotadas e examinadas por nós, procurando estabelecer a natureza da prece, os seus méritos e deméritos, sua elevação ou inferioridade para podermos determinar os socorros necessários. Até as orações das crianças são tomadas em consideração: qualquer pedido, qualquer súplica, tem a sua notação particular. Há orações sublimes que se elevam da Terra até o nosso distrito, tão puras elas são, todavia, que atravessam as nossas regiões como jatos de luz, buscando esferas mais altas e mais elevadas que a nossa. Existem igualmente, as imprecações mais negras e mais dolorosas.

Todas, contudo, merecem o nosso particular carinho e acurada atenção." (Deus, Maria João de e Xavier, Francisco C., "Cartas de uma Morta", LAKE, 10." edição, pág. 109.)

A PRECE AJUDA NA CURA, RENOVAÇÃO E ILUMINAÇÃO: "(...) os raios divinos, expedidos pela oração santificadora, convertem-se em fatores adiantados de cooperação eficiente e definitiva na cura do corpo, na renovação da alma e iluminação da consciência." ("Missionários da Luz", página 67.)

A PRECE É FATOR DE IMUNIZAÇÃO ESPIRITUAL: "A esposa de Nemésio mantinha o hábito de oração. Imunizava-se espiritualmente por si. Repelia, sem esforço, quaisquer formas-pensamentos de sentido aviltante que Ihe fossem arremessadas." (André Luiz; Xavier, F. C, e Vieira, W., "Sexo e Destino", FEB, 15. edição, pág. 55.)

É INDISPENSAVEL A PRÁTICA METÓDICA DA ORAÇÃO NO LAR: "Toda vez que se ora num lar, prepara-se a melhoria do ambiente doméstico. Cada prece do coração constitui emissão eletromagnética de relativo poder. Por isso mesmo, o culto familiar do Evangelho não é tão-só um curso de iluminação interior, mas também processo avançado de defesa exterior, pelas claridades espirituais que acende em torno. 0 homem que ora traz consigo inalienável couraça. 0 lar que cultiva a prece transforma-se em fortaleza, compreenderam?" ("Os Mensageiros", FEB, 24". edição, página 197.)

CONCLUSÕES

Pelos ensinamentos do Espiritismo acerca da oração, podemos ter certeza de que as nossas preces são sempre ouvidas e atendidas de acordo com os méritos e benefícios. Que quando pedimos pela nossa melhoria íntima e crescimento espiritual uma torrente de graças, de consolações e de orientações se derrama sobre nós, pela aproximação com os Benfeitores que dirigem nossos passos. Que nos casos de erros por orgulho, por egoísmo, por vaidade e por falta de amor, caridade e perdão, devemos pedir ao Pai forças para não falir de novo e coragem para a reparação das faltas, que vão garantir-nos consciência tranqüila e o fim do remorso e das idéias de culpa. Que a vontade, o pensamento e o sentimento são tudo na oração. Que os Espíritos, a nós vinculados por laços de afinidades, apreciam as nossas preces a eles dirigidas por se sentirem ainda lembrados e queridos. Que na hora da irritação, incerteza, descontrole emocional, dor, desespero, provações, depressão, angústia ou enfermidade devemos nos recolher em silêncio e nos entregar à oração, rogando auxílio a Deus e a Jesus: a ajuda virá, a paciência despontará, a crise logo passará e a normalidade retornará dando segurança às decisões que nos vão garantir bem-estar e reequílibrio duradouro. Que muitos sofrimentos e problemas morais, físicos e de saúde, decorrem de faltas cometidas em vidas passadas, que temos de resgatar através de provas necessárias ao nosso progresso pessoal. Como essas situações difíceis são úteis e indispensáveis à nossa felicidade futura, não podem ser afastadas ante o nosso pedido, através da prece. Mas, nunca faltará ajuda espiritual para facilitar-nos a superação delas.

BIBLlOGRAFIA BÁSICA
KARDEC Allan: "0 Evangelho Segundo o Espiritismo"*, Caps. XXVII e XXVII". "0 Livro dos Espíritos”. Parte Terceira, Cap. II, Da Lei de Adoração. À prece.

DENIS Léon. "Depois da Morte” Parte Quinta. A Prece. Edição FEB.

FONTE
0 Reformador, n." 1963.

terça-feira, 30 de junho de 2009

A Prática da Mediunidade na Casa Espírita


Kardec é recebido no Centro Espírita de Broteaox, em 19 de setembro de 1860, o único existente em Lyon. À porta esperam-no Dijou e sua esposa, que além da mediunidade psicofônica realiza um grande trabalho junto aos enfermos. Em 1862 Kardec retorna e vai a mais de 20 cidades verificando o aumento de centros espíritas e de pessoas interessadas na filosofia espírita – no início são algumas centenas e após dois anos surpreso nota que esses números aumentaram de 25 para 30 mil.

As reuniões em Lyon e Bordeaox chegam a freqüência de até 200 pessoas por vez.
Feliz e acrescenta que o mais importante era a seriedade, o estudo constante do lado filosófico-moral e instrutivo, jamais a prática mediúnica e sim espírita pela leitura posta em prática. É ainda nessa belíssima obra – Viagem Espírita em 1862 – que Allan Kardec coloca o valor da orientação às crianças – Evangelização Infantil.

No O Livro dos Médiuns, cap. 29, comentando sobre Reuniões Instrutivas, itens 328 e 329, é colocado a importância do estudo: “(...) não apenas do ensino moral, mas também o estudo dos fatos”. Kardec relembra também o perigo que podem sofrer os médiuns, obsessão simples, fascinação e subjugação, se não tiveram conhecimento de como os fatos ocorrem.

A importância da reciclagem periódica com pessoas “desinteressadas e bondosas”. Como evitar orientações distorcidas? Observar o conteúdo das palavras fazendo paralelo com a Doutrina Espírita.
Erasto, discípulo de Paulo, nos alerta no que querem aconselhar pregando a divisão e o isolamento, cuidado também com as orientações particulares.

Em 1860 chega ao Brasil o Espiritismo. O primeiro Centro Espírita, no país, é fundado em Salvador – Bahia, a 17 de setembro de 1865, por Olímpio Teles de Menezes. Desde essa época seu crescimento foi muito rápido e muito atuante em todo o território nacional.

Herculano Pires, em seu livro O Centro Espírita, coloca esse parágrafo muito importante: “Se os espíritas soubessem o que é o Centro Espírita, quais são as suas funções e sua significação o Espiritismo seria hoje o mais importante movimento cultural e espiritual da Terra.”

A base é o estudo da Codificação para aprimoramento dos médiuns e trabalhadores em geral.
O uso da mediunidade em favor dos espíritos necessitados é de grande importância, mas e os que não possuem a mediunidade dinâmica?
O próprio Herculano, tão entusiasta e estudioso da mediunidade abre possibilidades falando da mediunidade estática. Citamos Kardec na Viagem Espírita em que visitou um Centro na cidade de Cette onde praticamente não havia médiuns ativos, dinâmicos, pois sabemos que Allan Kardec, no capítulo 31 de O Livro dos Médiuns, item 10 afirma: “Todos os homens são médiuns.”(citação do espírito Channing)

André Luiz também diz o mesmo. Quantas tarefas de amor podemos desenvolver através da percepção – inspiração, pela ligação constante com o plano espiritual quando nos dedicamos em amar, compreender e servir nosso próximo.

À medida que evoluímos, evolui a nossa mediunidade também.
Dr. Jorge Andréa em seu livro Dinâmica Psi coloca que da mediunidade de incorporação e inconsciente passaremos a semiconsciente, consciente e intuitiva. “Emmanuel – Dissertações Mediúnicas, pág. 49, escrito em 1937, coloca o seguinte parágrafo: ‘(...) desenvolvendo suas capacidades espirituais, poderá com seu esforço certificando-se das sublimes verdades do mundo invisível, sem o concurso de quaisquer intermediários’.”

Esse é o processo evolutivo da mediunidade, para consegui-lo é necessário o estudo unido à compreensão, a caridade e o amor aos nossos irmãos em Humanidade.

Ana Gaspar

segunda-feira, 29 de junho de 2009

O problema das mistificações




As mistificações constituem-se num grave problema para o Espiritismo, afetando-o principalmente no tocante à sua credibilidade. Por isso, a questão precisa ser analisada e enfrentada com sinceridade. Diria mesmo que este é um dever de todo espírita. Não nos convém tapar o sol com a peneira, pois é certo que há mistificações em nosso meio. E como há!

No presente artigo, pretendo trazer o tema para o debate, na esperança de que nos tornemos observadores mais atentos e críticos. É isso, aliás, o que Kardec recomendou em O Livro dos Médiuns: “se a intenção for realmente boa, eles (os homens sensatos e bem intencionados) farão a sua advertência de maneira conveniente e benévola, abertamente e não com subterfúgios”.

De início, salientamos que não há mistificadores sem mistificados. Trata-se, portanto, de uma via de mão dupla. “A facilidade com que certas pessoas aceitam tudo o que teria vindo do mundo invisível ... é o que encoraja os mistificadores”, disse Kardec. Por isso, devemos tomar cuidado para não sermos nós os encorajadores das mistificações. Como? Recebendo todas as informações com reserva e prudência. É o que nos aconselhou o Codificador do Espiritismo. Dessa forma, não nos enganarão tão facilmente.

Os mistificadores podem ser Espíritos desencarnados ou Espíritos encarnados (os homens – médiuns ou não). É sobre os homens-mistificadores que queremos tratar neste artigo, porque os Espíritos desencarnados mistificadores já foram muito bem caracterizados por Kardec em O Livro dos Médiuns (Capítulo XXVI – Das Manifestações Espíritas), tornando-se desnecessária, por ora, qualquer apreciação adicional acerca deles.

Apressadamente, poderíamos supor que os mistificadores (homens) são somente os que recorrem a fraudes em busca de recompensas financeiras. Há muitas mistificações que visam ao dinheiro fácil, sim, mas essas, logo, logo, acabam sendo desmascaradas. A maioria das mistificações, no entanto, passa despercebida, uma vez que não conseguimos enxergar os interesses que escondem, ou seja, a notoriedade, a distinção, o status e, em especial, o poder (de decisão).

Não estamos nos referindo ao jogo político que praticamos em nossos meios sociais, como família e local de trabalho. Somos seres políticos por natureza e fazemos política o tempo todo – nem sempre de forma sadia. Mas a questão aqui é outra. Estamos tratando de embustes, de enganações, de buscar o poder por meios escusos. Estamos tratando do uso da mentira, do uso da respeitabilidade que se dá a uma mensagem supostamente advinda do plano espiritual. Estamos nos referindo a regras de conduta ou de práticas impostas por homens que fingem adotar orientações ditadas por Espíritos superiores.

Antes de qualquer avaliação, é preciso lembrar que o Espiritismo é libertador, porquanto nos propõe uma fé raciocinada, que nos liberta da prisão do medo que outras crenças impõem: medo, por exemplo, de punição, quando supomos infringir uma “lei” que não passa de uma regra criada por algum mistificador. Com a fé raciocinada, não podemos aceitar ou temer algo que não faça sentido para nós; como obedecer a regras de conduta que tentam nos impor sem maiores explicações?

Cumpre admitir, por outro lado, que, ao alimentar a vaidade, tornamo-nos muitas vezes responsáveis por essa situação. Já meditaram sobre a distinção que é feita em nosso meio entre médiuns ostensivos e não ostensivos (contrariando a Doutrina)?

Os mistificadores utilizam-se de variados meios para a realização de seus propósitos, alguns dos quais poderíamos apresentar a título ilustrativo; no entanto, preferimos deixar a exemplificação para um próximo artigo. Até lá, ficamos torcendo para que a leitura deste texto possa suscitar análises, críticas e debates.

EDUARDO BATISTA DE OLIVEIRA

Muita paz!

domingo, 28 de junho de 2009

Mediunidade, conceito e tipos


Que é ser médium

1. Todo aquele que sente, num grau qualquer, a influência dos Espíritos é, por esse fato, médium. Essa faculdade é inerente ao homem; não constitui, portanto, um privilégio exclusivo. Por isso, raras são as pessoas que dela não possuam alguns rudimentos.

2. Apesar disso, só chamamos de médiuns aqueles em que a faculdade mediúnica se mostra caracterizada e se traduz por efeitos patentes, de certa intensidade, o que depende de uma organização mais ou menos sensitiva.

3. A percepção das influências espirituais se dá pelo fenômeno mental da sintonia, ou seja, nossa mente, sendo um núcleo de forças inteligentes, gera pensamentos plasmados que, ao se exteriorizarem, entram em comunhão com as faixas de idéias do mesmo teor vibratório, estabelecendo-se, assim, a sintonia mediúnica. Atraímos os Espíritos que se afinam conosco, tanto quanto somos por eles atraídos.

Mediunidade e Doutrina Espírita

4. Achando-se a mente na base de todas as manifestações mediúnicas, é imprescindível enriquecer o pensamento, incorporando-lhe tesouros morais e culturais. A mediunidade, pois, não basta por si mesma. Sendo uma faculdade própria da espécie humana, ela existe desde as épocas mais remotas, mas foi somente na Doutrina Espírita que ela encontrou um sentido mais elevado e disciplinado.

5. Como os historiadores informam, Sócrates referia-se ao amigo invisível que o acompanhava constantemente. Plutarco reporta-se ao encontro que Bruto teve certa noite com um de seus perseguidores desencarnados. Pausânias, no templo de Minerva, em Roma, ali condenado a morrer de fome, aparecia e desaparecia aos olhares de circunstantes assombrados, durante largo tempo. Nero, nos últimos dias de seu reinado, viu-se fora do corpo carnal, junto de Agripina e de Otávia, sua genitora e esposa, ambas assassinadas por sua ordem, a lhe pressagiarem a queda no abismo.

6. Com o advento do Cristianismo, a mediunidade atingiu a sublimação com as manifestações provocadas por Jesus e, mais tarde, por seus apóstolos. E na Idade Média prosseguiu vitoriosa nos feitos de Francisco de Assis, nas visões de Lutero e nos desdobramentos de Tereza d’Ávila, para culminar, nos tempos modernos, nas prodigiosas manifestações de Swedenborg.

7. O dom mediúnico, por ser uma conquista evolutiva da Humanidade, não deve se limitar a mera produção de fenômenos. O médium consciente de seu papel precisa buscar disciplina e iluminação íntimas, para tornar-se um instrumento de progresso, com vistas à felicidade própria e coletiva.

Tipos de Mediunidade

8. Geralmente, os médiuns têm uma aptidão especial para determinados fenômenos, do que resulta uma variedade muito grande de manifestações. As principais variedades de médiuns são: médiuns de efeitos físicos, médiuns sensitivos ou impressionáveis, médiuns audientes, médiuns videntes, médiuns sonambúlicos, médiuns curadores, médiuns pneumatógrafos e médiuns escreventes ou psicógrafos.

9. Os médiuns de efeitos físicos são aptos a produzir fenômenos materiais, como o movimento de corpos inertes, ruídos, pancadas, vozes diretas, materializações, transportes, etc. A mediunidade de efeitos físicos foi muito comum no surgimento do Espiritismo, com o objetivo de chamar a atenção dos encarnados para as coisas do Além, tal como ocorreu em Hydesville e depois na França, em meados do século passado.

10. Os Espíritos que se prestam a esse tipo de manifestação geralmente são de pouca evolução. Na verdade, são mais levianos do que maus, que se riem dos terrores que causam, agarrando-se a um indivíduo ou a um lugar por mero capricho ou com o propósito de se comunicarem com certas pessoas, para lhes dar algum aviso ou pedir alguma coisa.

11. Médiuns sensitivos ou impressionáveis são as pessoas suscetíveis de sentir a presença dos Espíritos por uma impressão vaga, por uma espécie de leve roçadura sobre todos os seus membros, não apresentando caráter bem definido, visto que todos os médiuns são mais ou menos sensitivos. Esta faculdade pode adquirir tal sutileza, que aquele que a possui reconhece não só a natureza, boa ou má, do Espírito que está ao lado, mas até a sua individualidade, como o cego reconhece a aproximação de tal ou tal pessoa.

12. Os médiuns audientes ouvem a voz dos Espíritos, algumas vezes uma voz interior, que se faz ouvir no foro íntimo, doutras vezes uma vez exterior, clara e distinta, qual a de uma pessoa viva, podendo até realizar conversação com os Espíritos, que podem ser agradáveis ou desagradáveis, dependendo do nível do Espírito comunicante.

13. Os médiuns falantes transmitem a mensagem espírita através da fala. Os Espíritos atuam sobre o órgão da fala, como atuam sobre a mão dos médiuns escreventes.

14. Os médiuns videntes são dotados da faculdade de ver os Espíritos. Alguns a possuem no estado normal, ou seja, acordados, lembrando-se do que viram, outros só a possuem em estado sonambúlico, ou próximo do sonambulismo, que quase sempre é efeito de uma crise passageira. Ver os Espíritos durante o sono resulta de uma espécie de mediunidade, mas não constitui, propriamente falando, o que se chama vidência.

15. Médium sonambúlico é aquele que, nos momentos de emancipação, vê, ouve e percebe, fora dos limites dos sentidos. Muitos sonâmbulos vêem perfeitamente os Espíritos e os descrevem com precisão, como os médiuns videntes. Podem conversar com eles e transmitir-nos seus pensamentos.

16. Médiuns curadores são aqueles que têm o dom de curar pelo simples toque, olhar ou imposição das mãos, sem o uso de medicação. É a ação do magnetismo animal que produz a cura, mas essa faculdade deve ser classificada como mediunidade porque as pessoas que possuem esse dom não agem sozinhos, mas são auxiliados por Espíritos que se dedicam a essa tarefa.

17. Médiuns pneumatógrafos são os que produzem a escrita direta, sem tocarem no lápis ou no papel. Já os médiuns escreventes ou psicógrafos transmitem a mensagem espiritual utilizando lápis e papel.

18. Falando sobre a psicografia, Kardec diz que, de todos os meios de comunicação, a escrita manual é o mais simples, o mais cômodo e o mais completo. Para esse meio devem tender todos os esforços, porquanto ele permite se estabeleçam com os Espíritos relações continuadas e regulares, como as que existem entre nós, e é por ele que os Espíritos revelam melhor sua natureza e o grau do seu aperfeiçoamento ou de sua inferioridade.

Fonte: O Consolador

Bibliografia:

O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, itens 159, 160, 164, 165, 166, 167 e 172.
O Livro dos Médiuns,
de Kardec, itens 90 e 178.
Nos Domínios da Mediunidade,
de André Luiz, pág. 18.
Mecanismos da Mediunidade
, de André Luiz, pág. 13.

domingo, 7 de junho de 2009

Os Trabalhos espirituais da Casa Espírita


Os Trabalhos espirituais da Casa Espírita, exigem comportamento digno dos tarefeiros!
É muito importante, que nós espíritas, estejamos cientes da importância da nossa participação no equilíbrio fluídico da instituição que freqüentamos. Pois, as atividades espirituais que ali são realizadas, muito dependem da nossa participação efetiva com disposição, boa vontade, preparo e trabalho incessante no aperfeiçoamento individual e coletivo, para que alcancemos êxito e mereçamos cada vez mais a companhia e confiança do mundo espiritual.

Incontáveis são as instruções que os Espíritos Superiores nos transmitem, nas diversas obras espíritas com a finalidade de nos ajudar a crescer, amar e servir, sempre mais e melhor, e, dentre elas, trazemos as instruções do querido Benfeitor Adolfo Bezerra de Menezes que abaixo transcrevemos.

Bezerra fala sobre o Ambiente do Centro Espírita

“Um Centro Espírita onde as vibrações dos seus freqüentadores, encarnados ou desencarnados, irradiem de mentes respeitosas, de corações fervorosos, de aspirações elevadas; onde a palavra emitida jamais se desloque para futilidades e depreciações; onde, em vez do gargalhar divertido, se pratique a prece; em vez do estrépito de aclamações e louvores indébitos se emitam forças telepáticas à procura de inspirações felizes; e ainda onde, em vez de cerimônias ou passa-tempos mundanos, cogite o adepto da comunhão mental com os seus mortos amados ou os seus guias espirituais, um Centro assim, fiel observador dos dispositivos recomendados de início pelos organizadores da filosofia espírita, será detentos da confiança da Espiritualidade esclarecida, a qual o levará à dependência de organizações modelares do Espaço, realizando-se então, em seus recintos, sublimes empreendimentos, que honrarão os seus dirigentes dos dois planos da Vida. Somente esses, portanto, serão registrados no Além-Túmulo como casas beneficentes, ou templos do Amor e da Fraternidade, abalizados para as melindrosas experiências espíritas, porque os demais, ou seja aqueles que se desviam para normas ou práticas extravagantes ou inapropriadas, serão, no Espaço, considerados meros clubes onde se aglomeram aprendizes do Espiritismo em horas de lazer”. 1

Assim sendo, precisamos ter os devidos cuidados com as vibrações que disseminamos pelos diversos ambientes da nossa Casa Espírita, procurando participar com alegria e dignidade dos trabalhos realizados sob a inspiração e comando dos Amigos do invisível, mantendo o desejado equilíbrio emocional, cedendo nossos melhores fluidos, tornando-nos instrumentos úteis aos variados e delicados trabalhos que ali se processam.

Seja na tarefa da mediunidade de cura dos enfermos que buscam o auxílio espiritual das casas espíritas para suas enfermidades, seja na tarefa de conversar com as entidades desencarnadas sofredoras, ou ainda na sublime oportunidade de falar da consoladora mensagem espírita através da oratória, precisamos demonstrar principalmente, preparo e fé para estarmos aptos a captar e transmitir pela inspiração que nos serão dadas pelos instrutores espirituais os melhores recursos para a eficácia da tarefa a nós confiadas.

Precisamos ouvir a advertência dos Emissários Celestes da espiritualidade esclarecida que nos recomendam, o máximo respeito nas assembléias espíritas, onde jamais deverão penetrar a frivolidade e a indisciplina, a maledicência a intriga, o comércio, o barulho e as atitudes menos dignas de qualquer jaez.

Quando não procedemos conforme nos instruem os Celestes Emissários, estamos nos sujeitando a atrair para tais atividades, e, portanto, para a nossa instituição bandos de entidades hostis, malfeitoras e ignorantes do invisível, que virão interferir de forma negativa nos trabalhos ali realizados, pois, os Espíritos Benfeitores não participam de atividades frívolas nem de ambientes incompatíveis com a prática da verdadeira caridade.

1) Do Livro “Dramas da Obsessão”, de Bezerra de Menezes, psicografado por Ivone A. Pereira - Editado pela FEB .
Francisco Rebouças
Publicado no Recanto das Letras em 08/08/2008
Código do texto: T1119627

domingo, 31 de maio de 2009

Estudo sobre Desobsessão - Comportamento do Médium diante do Serviço


O grupo espírita deve ser comparado a uma pequena família de afins espirituais, cuja finalidade é a de ajudar-se individual e coletivamente. Os nossos passos dentro do grupo deverão ser regidos pelo cuidado, meditação e comentários, para que obtenhamos melhor aproveitamento e desempenho nos trabalhos realizados.

É opinião dos espíritos da Casa que todos os médiuns aprendam a dar passes para melhor desenvolverem sua sensibilidade e criarem afinidade com os espíritos amigos e trabalhadores da Casa.

Cada médium deverá entrosar-se o máximo possível com o companheiro de serviço, procurar conhecê-lo nas mínimas ações e reações diante de uma situação, esforçando-se por lhe adivinhar os pensamentos.

O ambiente deverá estar sempre em vibração positiva por meio da oração constante que cada um fará em prol do alívio, compreensão e boa vontade do sofredor.

Devido a agitação e desequilíbrio existentes no espírito sofrido e da energia encontrada no médium de incorporação, difícil se torna por vezes, a este mesmo médium, conter o socorrido em suas gritarias, batidas na mesa e atos de revolta; nesse caso caberá ao auxiliar do doutrinador, o médium de incorporação com força e deixar que o espírito se esgote, para que mais sereno, ele, o espírito, possa receber os passes de refrigério que lhe serão aplicados pelo médium de apoio.

Em se tratando, porem, de espírito excessivamente agitado, enquanto o médium de apoio segura firme o médium de incorporação, o doutrinador deverá anular um pouco seus movimentos, fazendo uma ligeira pressão na nuca ou na parte superior do crânio do médium de incorporação, pontos especiais de intercâmbio entre o médium e o espírito. Essa medida só poderá ser tomada como recurso de caso extremo, onde a atitude do espírito, traga embaraços para o médium de incorporação.

A reunião de desobsessão por ser muito especial, requer ajuda por meio de irradiação de amor e tranquilidade vindas de todos os componentes, atuando como pilhas fluídicas em atendimentos aos socorridos.

A irradiação são emanações mentais, em ondas vibrantes de luz, paz e amor, derramadas como um bálsamo sobre todo o ambiente; para irradiarmos dessa forma, é preciso que façamos sempre exercícios de concentração a fim de podermos emitir a todos os irmãos menos afortunados, nossos pensamentos mais sublimados no intuito de amenizar-lhes as dores e sofrimentos.

É preciso que os participantes da reunião de desobsessão, tenham inteira confiança nos seus mentores, nos espíritos amigos e dirigentes da casa e nos seus companheiros de serviço, fazendo da convicção um ponto de apoio à afirmação do seu trabalho mediúnico.

O medo ou escrúpulo injustificado mantidos pelo médium de incorporação, além de prejudicar os trabalhos de assistência aos necessitados, serve de entrave ao aprimoramento dele próprio,a crisolando-o a indecisões que o levarão a irremediáveis erros futuros.

O silêncio é a medida preciosa que se toma para defender o equilíbrio vibratório do grupo, ajudando-o a uma concentração forte e segura como a de uma corrente de energia, a qual mantém seu circuito fechado vibrando uníssono e harmonioso ao redor de determinada área.

Outrossim, devemos levar em conta o quanto desagradável é, ver-se o irmão socorrido adotar essa posição de silêncio da qual na maioria das vezes o doutrinador desavisado se deixa envolver, perdendo tempo precioso que deveria ser empregado na doutrinação, esperando por sua vez que o espírito se manifeste. Nesse caso devemos contar com a ajuda do médium de apoio que virá em socorro do doutrinador fazendo uma prece a fim do mesmo reequilibrar-se despertando do seu envolvimento.

Podemos levar em conta, também, a participação do doutrinador que atento à todas as tarefas em execução, suprirá faltas como essas não deixando que se perca o trabalho, e nem se fuja a finalidade do mesmo.

Cabe ao doutrinador chamar atenção dos médiuns de incorporação no intuito de auxiliá-los quanto a maneira de conduzirem os trabalhos, alertando-os a uma mudança de gestos ou atitudes com a finalidade de maior rendimento dos serviços.

Todos os participantes deverão estar vigilantes a troca de mentores, tornando-se maleáveis aos mesmos, não criando embaraços para a condução dos trabalhos. As simples dúvidas surgidas sobre quem vai dirigir os trabalhos ou sobre qual o espírito presente, acarreta uma série de dificuldades aos serviços, pois a mente dispersa nesse sentido deixa de atuar com o grupo, é, pois, na observância desse ponto que os participantes devem se esforçar ao máximo para manterem a mente voltada ao trabalho mediúnico.

De cada um vai depender o máximo ou mínimo de aproveitamento dos serviços em que se desdobra a espiritualidade o grupo inteiramente harmonizado completará o trabalho começado, e sustentado pelos espíritos.

A harmonia do grupo só existirá quando houver simplicidade nos atos, humildade nas ações e amor fraterno em receber sem melindres, dos companheiros de trabalho, toda e qualquer observação no sentido de lhe ampliar os conhecimentos e elevar seu padrão mediúnico, explorando ao extremo as vantagens de que dispõe. É nesse esforço individual que o grupo deve manter-se coeso para desempenhar o tão com plicado serviço mediúnico de desobsessão.

Altivo Carissimi Pamphiro
(Artigo retirado da Revista Estudos Espíritas - Out. a Dez de 2001 - Edições Léon Denis)

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Disciplina e Horário dos Trabalhos


Os amigos espirituais advertem-nos que, muito antes de nós, eles já estão preparando o ambiente em que serão desenvolvidas as sessões espíritas, quer sejam administrativas, de estudo ou mediúnicas.
O Espírito André Luiz, por exemplo, lembra-nos de que os próprios médiuns, desde a hora em que acordam, já estão recebendo o auxílio invisível dos benfeitores do espaço, no sentido de prepará-los para a tarefa mediúnica daquele dia.
Assim, a disciplina deve começar pela observância do horário dos trabalhos, para que sejam iniciados na hora marcada, se desenvolvam dentro do horário determinado e terminem na hora justa.
Além da disciplina do horário, o colaborador espírita deve preocupar-se também com a disciplina do comportamento, evitando rusgas desnecessárias, discussões infrutíferas, perda de tempo com questiúnculas etc.
No âmbito da disciplina alimentar, o Espírito Emmanuel orienta-nos que em cada sete dias, qual ocorre ao impositivo do descanso geral, deveríamos destacar um deles para ingerir o mínimo de alimentação, doando o necessário repouso aos mecanismos do corpo.
O texto evangélico nos diz que "aquele que perseverar até o fim será salvo". Em nosso caso, todo o colaborador que envidar esforços para que os trabalhos não se estendam além do tempo requerido, as discussões não fujam do tema proposto e as observações não fiquem impregnadas de comentário chulo, estará contribuindo para que a sua Entidade atinja o fim último, que é a salvação da alma dos seus frequentadores, entendida por nós como o aprendizado das virtudes evangélicas.
O Centro é, além de tudo o que já vimos, um instrumento coordenador das atividades espirituais. No esquema das suas sessões teóricas e práticas a questão do horário é imperiosa, mas não deve sobrepor-se às exigências do amor fraterno.
Não é justo deixarmos fora da sessão companheiros dedicados ou necessitados, porque chegaram dois ou três minutos atrasados. Vivemos num mundo material e não espiritual, em que as pessoas lutam com dificuldades várias no tocante à locomoção, aos embaraços de compromissos diversos, e é justo que se dê uma pequena margem de tolerância no horário.
A disciplina de um Centro Espírita é principalmente moral e espiritual, abrangendo todos os seus aspectos, mas tendo por constante e invariável a orientação e a pureza de intenções.

sábado, 25 de abril de 2009

O QUE SÃO OS SONHOS?


Autora: Cheyla Bernardo Fett

Para alguns, os sonhos podem ter significados ocultos. Para outros, são pura fantasia. Há pessoas
que nem sonham. Para nós, espíritas, os sonhos podem ser vistos como uma prova da imortalidade e independência da alma com relação ao corpo.
Segundo O Livro dos Espíritos, a partir da questão 400 até 418, o sonho é a lembrança que temos das experiências que nosso espírito vive no mundo astral enquanto nosso corpo dorme. Durante o sono, a alma se desprende e pode vagar por lugares aqui na terra ou no plano espiritual, encontrando pessoas conhecidas ou não e vivenciando atividades agradáveis ou não, segundo sua natureza. Uma pessoa acostumada aos vícios pode ter seu espírito atraído a bares ou boates durante o sono, e aí ela vai encontrar espíritos afins e praticar o que gosta. Uma pessoa acostumada a fazer o bem pode encontrar outros bons espíritos e freqüentar hospitais, asilos, visitar espíritos que sofrem no astral e levar sua ajuda. Ou mesmo ir a lugares belos e estudar.
Durante esse desprendimento também podemos encontrar entes queridos que se foram e conversar, saber do seu estado ou receber conselhos.
Ao despertarmos, nem sempre nos lembramos completamente do que fizemos no plano espiritual.
Às vezes, não nos lembramos de nada, e dizemos então que não sonhamos. Outras, lembramos
apenas vagamente do que aconteceu, guardando alguma impressão boa ou ruim da experiência.
Apenas em algumas ocasiões podemos nos lembrar dos sonhos com clareza e narrarmos seus
detalhes, dos quais guardamos profunda impressão. É o que acontece, por exemplo, quando
sonhamos com um parente falecido que nos diz do seu estado no além ou quando alguém, mesmo
desconhecido, nos dá conselhos úteis.
Há também os sonhos provenientes do nosso subconsciente. Neste caso não são experiências reais as vividas pelo nosso espírito, mas apenas lembranças das nossas ocupações ou problemas
diários. Esses sonhos normalmente são mais confusos, funcionando como uma válvula de escape
para nossas emoções.
O motivo de nem sempre nos lembrarmos dos sonhos é a força da impressão que ele nos causa.
Se nós simplesmente nos envolvemos com as mesmas atividades que estamos acostumados
durante o dia, nenhuma impressão forte guardamos ao acordar. Mas se vivenciamos algo diferente ou importante, ficaremos impressionados e nos lembraremos.
Infelizmente, essa impressão forte nem sempre é boa. É o que acontece no caso dos pesadelos.
Os maus sonhos têm como causa algum desequilíbrio oculto ou não em que vivemos. Quando
estamos excessivamente preocupados com ganhar dinheiro, podemos sonhar com problemas no
trabalho, desemprego, assaltos e coisas parecidas. Se o excesso de zelo for com a nossa aparência,
podemos sonhar com acidentes, morte ou doença. Se nos agarramos demais com as pessoas de
quem gostamos, às vezes sonhamos com a sua perda ou com desentendimentos.
Todo comportamento que se afasta do equilíbrio, revelando orgulho, egoísmo, vaidade, ciúme,
avareza e qualquer defeito da alma acaba tendo como conseqüência os pesadelos. Eles servem
como alerta de que precisamos nos corrigir para ter paz na consciência.
Há ainda um aspecto mais perigoso, porém interessante: da mesma forma que os bons espíritos
aproveitam nosso desprendimento para dar bons conselhos ou conversar, os maus também podem se aproximar para nos perturbar. Eles aproveitam o desequilíbrio moral que citamos acima e nos provocam os pesadelos, que normalmente são aqueles que nos deixam impressionados por mais tempo. Em alguns casos mais graves, em que os pesadelos se repetem ou são freqüentes, acabamos por ter nosso comportamento diário alterado por causa dos sentimentos ruins despertados por esses sonhos, como o medo, tornando-nos agressivos e arredios. Nossa saúde também fica prejudicada pela falta de descanso noturno.
É aí que o Espiritismo pode novamente nos ajudar. Além de nos esclarecer sobre o que pode estar acontecendo conosco, podemos encontrar socorro no centro espírita. Lá receberemos as lições que nos farão reorientar nossas vidas, através das palestras ou de orientações particulares
(conversando com os dirigentes da casa). Podemos achar em nós mesmos os defeitos que nos
prejudicam e trabalhar para corrigi-los. É no centro espírita também que pode ser percebida a
participação de um mau espírito provocando nossos pesadelos. Uma equipe mediúnica poderá
afastá-lo até que reencontremos o equilíbrio. Ao mesmo tempo, os passes ajudarão a recompor a
saúde física.
Se você ou alguém com quem convive está sofrendo com esse problema, procure o centro espírita. Ele poderá ajudá-los.

(Fonte: Jornal Boa Nova - Edição 12 - Julho/1997)

sexta-feira, 20 de março de 2009

INSPIRAÇÕES


Quando se fala em mediunidade, a primeira idéia que nos ocorre é a de manifestações ostensivas de Espíritos. Logo pensamos na mediunidade de Chico Xavier, Divaldo P. Franco e outros médiuns famosos.

No entanto, todo aquele que sente a influência de Espíritos é um médium, ainda que esta influência seja tão sutil, que não possa ser comprovada.

A inspiração é um fato mediúnico de que todos já ouvimos falar. Ela está presente nas grandes criações da Arte e da Poesia, nas descobertas científicas, mas também nos mais diversos acontecimentos do dia-a-dia.

A inspiração nada mais é que Espíritos se comunicando conosco através do pensamento.

Podemos receber boas ou más inspirações, dependendo das simpatias que cultivamos no Plano Espiritual. Se fazemos e pensamos o bem, atraímos boas companhias espirituais que nos inspiram bons pensamentos. Se fazemos e pensamos o mal, atraímos más companhias espirituais que nos inspiram maus pensamentos.

Nossa fé e nossas atitudes é que determinam o ambiente espiritual em que vivemos e, portanto, o tipo de inspiração que recebemos mais freqüentemente.

(De "Um pouco por dia", de Rita Foelker)

sábado, 7 de março de 2009

O Bem e o Mal



O seu trabalho de procura foi muito intenso. Foi por toda a Itália, na época renascentista. Mas, afinal, depois de tanto se esforçar por achar, Leonardo Da Vinci encontrou o que tanto buscava. Ele queria encontrar o modelo ideal para Jesus para sua pintura “Última Ceia”. Apesar de procurar pelo país todo, foi na cidade de Milão, cidade onde ele, Leonardo, exercia suas funções de artista, acabou por encontrar um jovem muito belo, com fisionomia serena, quase um anjo. Combinou com ele que seria o modelo de Jesus, para o seu quadro. A escolha, como podemos ver, ao contemplarmos a obra, foi muito bem feita. Após quinhentos anos a obra continua merecendo irrestrita admiração.

Ao terminar o desenho da figura de Jesus, Leonardo ficou muito satisfeito com o resultado. Pagou regiamente o rapaz que lhe serviu de modelo. Para terminar, porém sua obra, faltavam alguns detalhes e – o mais importante – o rosto da figura de Judas Escariotes. O tempo foi passando e ele não conseguia encontrar o modelo apropriado e que reproduzisse satisfatoriamente aquele que havia atraiçoado Jesus. Necessitava ser uma figura taciturna e malévola. Muitos anos se passaram e Leonardo Da Vinci não achava a figura adequada. Estava quase desistindo em terminar seu quadro quando, um belo dia, andando pela cidade por assim dizer, tropeçou naquele que tinha todas as características que ele buscava. Era uma criatura esfarrapada, que dormia na calçada, embriagado. Da Vinci quase se perturbou perante a figura. Poderia dizer que via gravado no rosto daquele homem toda a maldade e crueldade que um ser humano pode abrigar. Quantos reveses e insucessos aquela pessoa havia passado. Mas, uma coisa, Leonardo Da Vinci sabia... tinha encontrado o modelo ideal para ser o Judas do seu quadro.

Com muito cuidado, encaminhou o homem até o refeitório do mosteiro, lugar onde executava a pintura do quadro. Insistiu durante algumas horas, trabalhando diligentemente para concluir o quadro. Quando estava terminando seu trabalho foi que aquele que lhe servia de modelo acordou do seu sono de embriagado. O bêbado, ao ver o quadro, disse:

- Eu já vi esse quadro.
- Mas, de onde? Indagou Da Vinci
- Ih... tem alguns bons anos. Eu servi de modelo para que o pintor fizesse o rosto de Jesus.

Leonardo da Vinci quase não acreditou. Quem diria que aquele que serviu de modelo para Jesus se transformaria no modelo para Judas Escariotes. Como é que pode, em poucos anos aquela pessoa se transformar daquela maneira?

Lembro-me do que um velho índio disse, certa vez, a respeito de seus conflitos internos: “Dentro de mim existem dois cachorros. Um deles é cruel e mau. O outro é muito bom. Os dois estão sempre lutando. Ao ser indagado qual dos dois ganharia a luta o sábio índio parou, refletiu e respondeu: Aquele que eu mais e melhor alimentar.”

Eurípedes Rodrigues dos Reis.