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sábado, 21 de novembro de 2009

O MESTRE ORIENTA




O jovem escutou os ensinamentos do Mensageiro e deslumbrou-se.

Pela sua mente perpassaram as esperanças de felicidade sem jaça, prenunciando-

lhe o momento da libertação.

Aguardou que o mar humano ali presente se diluísse nas praias largas dos seus outros compromissos, e, porque o Benfeitor estivesse a sós, acercou-se-lhe e indagou:

- Quais são os maiores tesouros para o homem?

O Enviado penetrou-lhe a juventude com o olhar profundo e redarguiu, amoroso:

"- Os mais importantes bens do homem para a vida são: o Espírito - o Espírito - ser gerado por Deus destinado às glórias estelares, causa e fim da realidade soberana; a respiração - alicerce da vida orgânica, da nutrição e eliminação de venenos; e o sêmen - vibração co-criadora, perpetuando a espécie em homenagem ao Pai Criador.

Deles decorrem os três elementos-consequências: interação criatura-Criador; manutenção vital e sucessão ininterrupta.

O Espírito, depois de criado, é indestrutível; a respiração, no corpo físico, é indispensável, e o sêmen é essencial para a reprodução animal.

Sábio é todo aquele que se preserva em espírito, laborando para a imortalidade; nutrindo-se para viver e reproduzindo-se para preparar o futuro, quando se reencarnará.

O seu é o gozo do dever, exercido com elevação, porque, enquanto tudo o mais é transitório, ele é permanente e sempre viverá."

- E se eu desejar entregar-me à Realidade última - voltou a interrogar o candidato - como me reproduzirei, abrindo oportunidade para o futuro?

" - O sêmen - concluiu o Santo - é elemento vital, portador de energia orgânica e transcendental.

Há vidas que produzem vidas, gerando corpos; outras existem que fomentam beleza, multiplicando-se os valores eternos pela canalização das suas forças para a imortalidade.

O ato de criar é de Deus, porém, está em nós por herança do Seu excelso amor. Estamos sempre criando para a liberdade ou escravidão pessoal."

(De "A um passo da imortalidade", de Divaldo P. Franco, pelo Espírito Eros)

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

FÉ E VIDA


A chama da esperança incendiava os corações e se refletia no brilho dos olhos, que fitavam, desafiadoramente, o futuro.

O Messias havia discorrido sobre as bênçãos e consolações reservadas aos humildes e simples, aos mansos e pacificadores.

Já se preparava para afastar-se da massa humana, quando alguém inquiriu:

- E a fé? Qual a tarefa que desempenha na vida?

"- A fé - explicitou, sem censura ou cansaço - é a lâmpada que se acende na mente para clarear a razão e aquece os sentimentos para atuarem com segurança de paz.

Nascidas nas fontes insondáveis da psique divina, de que todos somos herdeiros, é a estrela em noite escura apontando rumo, linfa refrescante no deserto, pão nutriente na fome espiritual.

Espontânea, quando irrompe dos refolhos da alma, e, sustentada pelo combustível do amor, faz-se confiança e estímulo para a luta libertadora que todos travamos com nós mesmos, em relação aos outros e em favor da Sociedade na qual nos movimentamos.

Racional quando surge como consequência da análise das coisas, do estudo do Universo e do aprofundamento das questões da vida, que dizem respeito à Criação.

A fé na criatura, na humanidade, no conhecimento, no progresso de alguma forma é filha da vivência espiritual do homem com Deus, inevitável conquista do ser imortal no seu processo de ascensão.

O céptico, atormentado e zombeteiro, encontra-se enfermo da emoção e, quando se diz douto, entroniza no ego a própria ignorância. Desejando ver Deus, se duvida, não o consegue, e se lobriga, já não tem por que duvidar. Para lográ-lo, no entanto, necessita despojar-se da presunção e buscá-Lo.

O homem sem fé é comparável ao nauta que conduz a embarcação, esquecido de que ela perdeu o leme.

A fé é uma atitude emocional e uma conquista intelectual em favor da Vida.

Pode ser trabalhada através da meditação, que a desenvolve e amplia, da oração, que a consolida, bem como da ação que a demonstra.

Ao abandono, perde a vitalidade, enquanto que estimulada, se expande e arde como labareda divina que jamais consome.

A fé possibilita as conquistas aos himalaias das dificuldades e a vitória sobre os labirintos das paixões.

A fé jamais se confunde, porque intui sempre o correto caminho a seguir, estabelecendo os deveres a cumprir e nunca teme nada, em razão de que, estribada na verdade, não teme conflitos nem suspeitas.

O que hoje se lhe apresenta como impossível de operar, amanhã surge como factível e depois se torna realização vitoriosa.

A Fé é a luz da Vida."

(De "A um passo da imortalidade", de Divaldo P. Franco, pelo Espírito Eros)

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

POEMAS DE PAZ



Não poucas vezes a paz autêntica tem início em pleno fragor dos combates renhidos.

*

Policia a irritação que é matriz de males incontáveis, fomentando a paciência que é geratriz de toda paz.

*

Enquanto a languidez resulta do cansaço e da inatividade, a paz fortalece o espírito e vitaliza o corpo.

*

Moureja infatigável na Seara da Luz, mesmo quanto as forças te pareçam escassas. Aquele que conhece Jesus somente repousa quando experimenta a plena paz da tarefa executada.

*

Coração que ama sem exigência conhece paz em plenitude.

*

Insta na linha da sublimação sem te permitires concessão à comodidade.

A paz que não se coroa de suor é engodo.

*

Os que entorpecem a consciência supõem, no engano, que desfrutam a concessão da paz.
Todavia, a sombra do erro, que empana a lucidez do dever, será diluída pelo veemente desejo da paz verdadeira que é semelhante a luar em treva densa.

*

Leve como um aroma no ar e sutil como um ósculo de ternura - eis a paz da inocência!

(De "Poemas de Paz", de Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito Simbá)

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

CANTO DE LOUVOR



Senhor,

Há tanto para exaltar em Teu Nome!

A brisa perfumada que perpassa,

Rociando a delicada face da Natureza em festa,

É a sinfonia da vida em intérmina magia

De cor, de luz e de poesia

Convidando ao amor, à harmonia.

Pipilam avezitas em delicados ninhos,

Protegidas pelos carinhos

De vigilantes pais.

Movimentam-se pequeninos animais

Entre tufos verdejantes e regatos canoros...

Em tudo estão presentes

A ordem, a alegria, a paz.

No imenso tapete de relva,

Violetas perfumadas

Confraternizam com miosótis azuis,

Enquanto as rosas,

Sempre formosas,

Esplendem em festões.

Jasmins e nobres tulipas,

Papoulas vermelhas e amarelas,

Delicadas e belas,

São renovado encantamento para as emoções.

O céu azul, infinito,

Com ligeiras nuvens garças,

Faz-se moldura e tela permanente,

Onde o Pintor Celeste presente

Compõe novos painéis de beleza

Enriquecendo a Natureza.

Eu Te exalto, Senhor!

Contemplando os lírios brancos e puros,

As folhas de verde variado,

As árvores vetustas, frondosas,

Nos imensos naturais jardins

Que me permites contemplar,

Identificando-Te em toda parte,

Aqui estou, comovida, a Te louvar.

Amélia Rodrigues

(De: "Sob a proteção de Deus", de Divaldo Pereira Franco - Diversos Espíritos)

domingo, 13 de setembro de 2009

O PROGRESSO (5)


A presunção humana tem desejado estabelecer leis em torno da vida, sem a grave preocupação de compreender as leis da vida, já estabelecidas. Toda vez que alguma delas lhe escapa, quando o homem é ingênuo, transfere-a para o sobrenatural, e, quando orgulhoso, para precipitadas explicações niilistas, sem vitalidade no fundo e na forma.

A documentação religiosa sobre o espírito, através dos tempos, se fundamenta, invariavelmente, na revelação e no dogma.

Em todas as épocas, porém, os fenômenos anímicos interessaram aos construtores dos povos e aos pensadores éticos, afirmando esses fenômenos a perenidade do princípio espiritual. Muitas civilizações levantaram as linhas éticas da sua cultura no intercâmbio com os mortos, sempre interessados na libertação dos vivos.

Embora o Oriente, com o passar do tempo, haja continuado a cultivar o antigo patrimônio das revelações imortalistas, o Ocidente, após a desvitalização do Cristianismo, deixou-se dominar pela imposição do dogma da fé, que estabelece, de imediato, a aceitação pura e simples da vida espiritual sem qualquer exame nem discussão dos termos, gerando nos tempos modernos a negação sistemática e proposital da sobrevivência do espírito...

Com o advento do Espiritismo, porém, e posteriormente com o nascimento e crescimento das Ciências Psíquicas, valioso material foi acumulado a serviço da imortalidade da alma, restabelecendo-se em consequência a pureza dos princípios cristãos, neles fundamentados, e imediatamente estruturando-se novas diretrizes para a cultura e a ética do presente como do futuro da Humanidade, conforme os postulados espíritas.

Ao Espiritismo, por isso mesmo, competem responsabilidades muito elevadas, quais as de restabelecer a pureza da Doutrina de Jesus, atualizando-a e utilizando métodos compatíveis com os engenhos tecnológicos do momento e as modernas formulações filosóficas, para que o homem possa integrar-se realmente nos objetivos superiores da vida, elaborando de logo para ele mesmo e para a posteridade as estruturas de uma ética otimista e espiritualista ao mesmo tempo, nas quais a construção do mundo imediato, tenha em vista as realidades da vida mediata, para cujos portos todos rumarão, inapelavelmente, já que a erra é oficina e educandário temporários de evolução para o ser que avança no rumo da perfectibilidade.

Todos os aparentes paradoxos do progresso, na atualidade, na sua faina de construir os padrões da vida e elevá-los, são parte da paisagem do futuro, no qual uma humanidade mais feliz e melhor será constituída de homens que se amem verdadeiramente como irmãos, sob a égide de Jesus, o Mestre por Excelência, cientes e conscientes todos de Deus, o Excelso Pai.

O Progresso! Convidados ao ingente labor da vida, ofereçamos a contribuição do nosso esforço otimista e da nossa civilização da verdade conforme a haurimos no Evangelho de Jesus e na Revelação dos Imortais, através da nossa oferta pessoal de amor e trabalho em prol da felicidade de todas as criaturas.

(Paris-França, em 9 de agosto de 1970)

Léon Denis

(De "Sol de Esperança", de Divaldo P. Franco - Diversos Espíritos)

sábado, 29 de agosto de 2009

MENSAGEM FRATERNA


Guarde-se do mal e defenda-se dele com a realização do bem operante.

Há muito que fazer, valorizando a oportunidade

e serviço que surge inesperada.

A intriga não merece a atenção dos seus ouvidos.

A injúria não merece o respeito da sua preocupação.

A ingratidão não merece o respeito da sua preocupação.

A ofensa não merece o zelo da sua aflição.

O ultraje não merece o seu revide verbalista.

A mentira não merece a interrupção das suas nobres tarefas.

A exasperação não merece o seu sofrimento.

A perseguição gratuita não merece a sua solicitude.

A maledicência não merece o alto-falante da sua garganta.

A inveja não merece o tempo de que você necessita para o trabalho nobre.

Abra os braços ao dever, firme-se no solo do serviço,

abrace-se à cruz da responsabilidade, recordando o madeiro

onde expirou o Cristo e, em perfeita magnitude, desafie a fúria do mal.

O lídimo cristão é fiel servidor.

(De "Legado Kardequiano", de Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito Marco Prisco)

terça-feira, 21 de julho de 2009

IDENTIFICAÇÃO DOS ESPÍRITOS





Questão grave, a de identificação dos Espíritos, nos fenômenos mediúnicos.

Utilizando-se de um equipamento muito complicado, nem todos os comunicantes sabem manipulá-lo como seria de desejar.

Além disso, as próprias complexidades e circunstâncias em que ocorre o fenômeno geram desafios aos mais experientes desencarnados, que se vêem a braços com a vontade e o caráter do médium, no momento das comunicações.

Outrossim, deve-se ter em mente que a morte biológica não é igual para todos, sendo o despertar na ultra tumba conforme o comportamento vivenciado durante toda a existência corporal.

Tomando consciência da realidade na qual ora se encontram, os Espíritos lúcidos passam a experimentar verdadeira revolução conceptual, obrigando-se a reconsiderar opiniões e objetivos aos quais se aferravam antes da libertação.

A surpresa que lhes assinala a consciência ante outros valores, alguns dos quais lhes eram desconhecidos ou não considerados, fá-los reavaliar o comportamento cultural e emocional, direcionando-os a novas ações, algumas bem diversas daquelas a que se habituaram no corpo somático.

Ampliam-se-lhes os horizontes da compreensão humana, e a visão, a respeito do destino, passa a experimentar uma correção de ângulo, que exige acuradas reflexões e largo esforço reeducativo.

O problema, portanto, da identificação dos Espíritos, é mais de aparência do que de realidade, desde que, qualquer pessoa que ama, não terá dificuldade em descobrir o seu afeto de retorno em mil pequenos ou grandes informes que os tipificam, sem a necessidade mórbida de exigir-lhes minudências e sinais de que eles mesmos se desejam libertar, a fim de avançarem no rumo de outros valores, ricos de paz e alento, que lhes acenam felicidade e união, quando aqueles da retaguarda física, também amados, romperem as algemas de retentiva e seguirem ao seu encontro, num mundo que já preparam, para que lhes seja melhor do que este de provas e expiações de onde procedemos.

(De "Temas da Vida e da Morte", de Divaldo P. Franco, pelo Espírito Manoel P. de Miranda)