Mostrando postagens com marcador Mensagens de Joanna de Ângelis. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mensagens de Joanna de Ângelis. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Convite a fraternidade


"Ninguém acende uma candeia e a coloca debaixo do alqueire, mas no velador." (Mateus, 5:15.)
Abençoado pela oportunidade de progredir em regime de liberdade relativa, no corpo que te serve de esteio para a evolução, considera a situação dos que foram colhidos pelas malhas da criminalidade e expungem em regime carcerário os erros, à margem da sociedade, a benefício deles mesmos e da comunidade.

Visitá-los constitui dever impostergável.

Não é necessário que sindiques as razões que os retêm entre as grades ou no campo aberto das colônias agrícolas correcionais ou que te inquietes em face aos dramas que os sobrecarregam.

Há sim, alguns que são criminosos impenitentes, reincidentes, sem coração... Doentes, portanto, psicopatas infelizes ou obsidiados atormentados, sem dúvida...

Outros, no entanto...

Mães que não suportaram os incessantes maus-tratos de companheiros degenerados;

irmãos avassalados pelo que consideravam injustiças terríveis e não tiveram energias para superar o momento crítico;

operários espezinhados que não dispunham de forças para vencer a crise;

patrões ludibriados que tomaram a justiça nas mãos;

jovens viciados por este ou aquele fator desequilibrante, que agiram atados sob a constrição de drogas ou paixões;

homens e mulheres probos que foram surpreendidos pela infelicidade num momento de fraqueza;

adolescentes ou anciãos que foram levados ao furto pela fome...

Quantas crianças, também, em Reformatórios, Escolas corretivas, porque não tiveram um pouco de carinho e desde cedo somente receberam reproche e desprezo social!

Podes fazer algo.

Tens muito para dar, especialmente no que diz respeito a valores morais e espirituais.

Confraterniza com eles e acende nas suas almas a flama do ideal imortalista, para que encontrem mesmo aí onde sofrem um norte que lhes constitua bússola e rota na imensa noite do desespero que sempre irrompe nas celas em que se demoram enjaulados por fora ou encarcerados por dentro.

Constatarás que ajudá-los é ajudar-se e ser fraterno para com eles é libertar-se de várias constrições que te inquietam, pondo a luz da tua fé no velador da fraternidade.

(De "Convites da Vida", de Divaldo Pereira Franco - Espírito Joanna de Ângelis)

domingo, 15 de novembro de 2009

Convite à Perseverança


"... Mas quem perseverar até o fim, esse será salvo." (Mateus, 10:22.) Não asseveres: "é-me impossível fazer!" Nem redarguas: "não consigo!" Nunca informes: "sei que é totalmente inútil aceitar." Nem retruques: "é maior do que as minhas forças".

Para aquele que crê, o impossível é tarefa que somente demora um pouco para ser realizado, já que o possível se pode realizar imediatamente.

Instado a ajudar não te permitas condições, especialmente se fruis o tesouro da possibilidade.

Fácil ser delicado sem esforço, ser amigo sem sacrifício, ser cristão sem auto-doação...

Perseverança nos objetivos elevados, com oferenda de amor, é materialização de fé superior.

Para que seja atuante, a fé deve nutrir-se do poder dos esforços caldeados para as finalidades que parecem inatingíveis.

Todos podem iniciar ministérios..

.

Tarefas começantes produzem entusiasmos exaltados.

Mede-se, porém, o verdadeiro cristão e, particularmente, o espírita pelo investimento que coloca na bolsa de valores imortalistas a render juros de paz...

Unge-te, portanto, de fé e deixa que resplandeça a tua fidelidade ao lado de quem padece.

Não fosse o sofrimento, ninguém suplicaria socorro.

Não fosse a angústia ninguém se encorajaria a romper os tecidos da alma para exibir exulcerações...

Ninguém se compraz carregando demorada canga, não obstante, confiando em alívio, lenitivo...

Nas cogitações que te cheguem ao plano da razão, interroga como gostarias que fizessem contigo se foras o outro, o sofredor, o necessitado que ora te roga ajuda.

Assim, envolve-te na lã do "Cordeiro de Deus" e persevera ajudando.

Não somente dando o que te sobra mas aquela doação maior a que te parece difícil, a quase impossível...

A perseverança dar-te-á paz e plenitude. Insiste na sua execução.

(De "Convites da Vida", de Divaldo P. Franco, pelo Espírito Joanna de Ângelis

Não Temas




A tarefa, pela sua magnitude, parece-te impossível de ser conduzida pelas tuas fracas forças.

O compromisso, porque grave, faz-te crer improvável levá-lo com êxito, mediante o necessário equilíbrio.

O labor, considerando a sua extensão, produz-te receio.

O desafio, pelas responsabilidades que impõe, causa-te preocupação.

Não temas, porém.

Quanto te diga respeito, faze com a melhor doação de ti mesmo.

*

Se pretender remover a montanha, inicia o trabalho retirando as primeira pedras.

Não lograrás o pico sem transpores o obstáculo inicial.

Conjeturando, apenas, no como realizar o dever, deter-te-ás na meditação.

Pensa, planeja, mas atua.

Se outros fracassaram, o problema é deles. Esta, porém, é a tua vez, de que darás conta.

Sem a ação, ser-te-á difícil saber dos resultados.

*

A seara em festa é o prêmio ao trabalho de preparação do solo.

A catedral suntuosa cresceu de pedra em pedra, após a escavação da base.

A escultura monumental resultou do primeiro golpe e dos que o sucederam.

Estás fadado ao triunfo.

Responsabilidade constitui estímulo ao êxito. Receio, porém, é prejuízo na economia moral da vida.

Dinamiza as tuas forças ao império da vontade bem dirigida e conseguirás, facilmente, realizar os cometimentos em pauta.

O equilíbrio de que necessitas resultará do exercício e da vivência da ação enobrecedora, que empreendes.

*

Embora a convivência diária com o Mestre, acompanhando-Lhe as realizações transcendentais, ao vê-Lo andando sobre o mar, os discípulos recearam. Compassivo e tranquilo, no entanto, acalmou-os Jesus, dizendo-lhes: "Não temais! Sou eu."

Em qualquer labor com Cristo, não temas nunca. Ele estará sempre contigo.

Joanna de Ângelis

Cintra, Portugal, 13.08.80

(De: "Roteiro de Libertação", de Divaldo P. Franco, ditado por diversos Espíritos).

sábado, 3 de outubro de 2009

A bênção do trabalho



Sob pretexto algum te permitas a hora vazia.

Justificando cansaço ou desengano, irritabilidade ou enfado, desespero íntimo ou falta de estímulo, evita cair no desânimo que abre claros na ação do bem, favorecendo a inutilidade e inspirando as idéias perniciosas.

Se supões que todos se voltam contra os teus propósitos superiores, insiste na atividade, que falará com mais eficiência do que tuas palavras.

Coagido pela estafa, muda de atitude mental e renova a tarefa, surpreendendo-te com motivação nova para o prosseguimento ideal.

Vitimado por injunções íntimas, perturbadoras, quer se enraízam no teu passado espiritual, redobra esforços e atua confiante.

O trabalho é, ao lado da oração, o mais eficiente antídoto contra o mal, porquanto conquista valores incalculáveis com que o espírito corrige as imperfeições e disciplina a vontade.

O momento perigoso para o cristão decidido é o do ócio, não o do sofrimento nem o da luta áspera.

Na ociosidade surge e cresce o mal.

Na dor e na tarefa fulguram a luz da oração e a chama da fé.

Maledicências e intrigas, vaidades e presunções, calúnias e boatos, despeito e descrédito, inquietação e medo, pensamentos deprimentes e tentações nascem e se alimentam durante a hora vazia.

Os germes criminógenos de muitos males que pesam negativamente sobre a economia da sociedade se desenvolvem durante os minutos de desocupação e ociosidade.

Os desocupados jamais dispõem de tempo para o próximo, atarantados pela indolência e pela inutilidade que fomentam o egoísmo e desenvolvem a indiferença.


O trabalho se alicerça nas leis de Amor que regem o Universo.Trabalha o verme no solo, o homem na Terra e o Pai nas Galáxias.

A vida é um hino à dinâmica do trabalho.Não há na natureza o ócio.

O aparente repouso das coisas traduz a pobreza dos sentidos humanos.

A vida se agita em toda parte.

O movimento é lei universal em tudo presente.


Não te detenhas a falar sobre o mal.

Atua no bem.

Não ter escuses à glória de trabalhar pelo progresso de todos, do que resultará a tua própria evolução.

Cada momento sabiamente aproveitado adiciona produtividade na tua sementeira de esperança.

O trabalho de boa procedência em qualquer direção produz felicidade e paz.

Dele jamais te arrependerás.

Não esperes recompensa pela sua execução.

Produze pela alegria de ser útil e ativo, içando o coração a Jesus, que sem desfalecimento trabalha por todos nós, como o Pai Celeste que até hoje também trabalha.


(De "Leis morais da vida", de Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito Joanna de Ângelis)

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

CARIDADE TRANSFERIDA


Ninguém objeta quanto à qualidade dos elevados propósitos.

Não se faz qualquer restrição à nobreza de tais sentimentos.

A caridade é sempre uma luz acesa vencendo trevas.

Por isso mesmo não é lícito eximir-se alguém de clarificar-se com a luminescência que dela emana.

Quem conduz uma luz beneficia-se primeiro.

*

Generaliza-se uma prática que, embora edificante, tem assumido um caráter passadista.

Pessoas generosas, que desejam auxiliar, sempre se eximem de fazê-lo, justificando-se falta de tempo, de saúde, poucas possibilidades econômicas... E encaminham os necessitados que lhe buscam o concurso a outras que lhes parecem bem aquinhoadas, valorosas, sem problemas...Mas que os têm, igualmente, só que se não queixam, fomentando o comércio do desânimo e da insensatez.

São criaturas bem formadas, sem dúvida, as que assim procedem, no entanto, se recusam a alegria de servir, a bênção de socorrer, a felicidade de amar.

Claro que ante à impossibilidade real de fazer-se o bem, a atitude encaminhar o aflito a uma fonte abençoada é correta.

Não, porém, como um hábito constante, transferindo-se a caridade de domicílio e de mãos...

*

Quando alguém te chegar em sofrimento, sempre poderás auxiliar, se o quiseres.

Não mensurando tempo nem examinando valores, deves repartir dádivas e repartir-te no ministério da caridade com Jesus.

Caridade transferida ¾ socorro tardio.

*

Conhecendo alguém que se afadiga no labor santificante da caridade, corre em seu auxílio, ao invés de o sobrecarregares com novas incumbências e maior soma de responsabilidades.

Detendo-te a meditar na "Parábola do Bom Samaritano", compreenderás a necessidade de fazeres, tu mesmo, a caridade.

Não mandes outrem realizá-la em teu lugar.

Não postergues o teu momento de felicidade.

Jesus jamais se poupava, transferindo labores. Inclusive na cruz, quando solicitado pelo atormentado bandido, que Lhe rogava ajuda, distendeu-lhe a mão generosa da esperança, em nome da excelsa caridade de Nosso Pai.

(De "Oferenda", de Divaldo P. Franco - Joanna de Ângelis)

domingo, 6 de setembro de 2009

ATITUDE SILENCIOSA


Afirma velho refrão da sabedoria popular que todo "aquele que cala consente".

Nem sempre, porém, é assim.

+

O silêncio pode significar mais do que ausência pura e simples.

+

Há quem cale por temor, mesmo que discordando; outros silenciam para evitar contendas inúteis, e diversos indivíduos o fazem perseguindo interesses inferiores...

+

Também se pode apresentar um tipo de silêncio dinâmico, que é sabedoria, quando os tolos palram ou os agressivos estridulam...

+

Caracteriza o profundo conhecedor de uma questão, o seu silêncio, igualmente chamado "de ouro" pelo brocardo ancestral, que fala no momento em que é solicitado, ao mesmo tempo gerando esclarecimento e produzindo instrução.

Essa atitude, no entanto, exige equilíbrio e disciplina moral decorrentes da coragem que propicia auto-controle, superando as paixões mais rudes que se rebelam e pretendem competir, impor e conflagrar.

+

Fala-se muito sem que se pense, e, por isso, os conflitos se apresentam em escala crescente, lançando umas contra outras as pessoas e perturbando o organismo social.

+

O silêncio não deve significar mutismo constrangedor, atitude de indiferença ou de desprezo pelo interlocutor.

Referimo-nos à discussão vazia, ao debate infrutífero, às defesas desnecessárias quando ocorrem os bombardeios da insensatez.

+

É mais fácil reagir, argumentando pelo espicaçar da vaidade ferida, ou graças aos espículos que se cravam no orgulho.

+

Saber ouvir, ler com serenidade os ataques e difamações, constituem comportamento estóico, que a todos cumpre assumir, a benefício próprio, do adversário e da paz entre todos.

+

Silencia o mal que te façam e age no bem que possas desenvolver.

Os teus atos possuem a voz que fala mais alto do que todas as tuas palavras.

Se os não respeitam, menos considerarão as tuas objurgações.

+

Não passes recibo às provocações dos que se convertem em defensores da verdade, fiscais do dever alheio, donos de todo o conhecimento...

+

Incorpora ao universo das tuas atitudes as palavras não ditas, desmentindo infâmias e acusações indébitas pela tua forma de ser e de te conduzires.

+

O tempo urge e é precioso em demasia para que seja malbaratado inutilmente.

+

Não te tornarás melhor porque te elogiem ou concordem contigo. Da mesma forma, não te farás pior face às injúrias e malquerenças que te cerquem os passos.

+

Porfia no teu compromisso e aguarda o tempo, que é sempre o mesmo para todos, diferindo na forma como transcorre em relação a cada um.

+

O Codificador do Espiritismo, na defesa da Doutrina, jamais aquiesceu em participar das discussões estéreis e vazias. A cada agressão que merecia esclarecimento justo, sem qualquer ressentimento, ofereceu respostas que permanecem como páginas de luz pela sabedoria que encerram, demonstrando a excelência do Espiritismo mediante a robustez do seu conteúdo e a construção granítica das idéias argamassadas na filosofia ético-moral do Evangelho de Jesus, que a ciência comprova experimentalmente, em todos os fatos, permanecendo como a mais sólida de quantas já apareceram, consciências e sentimentos que projeta no rumo de Deus.

De "Viver e amar", de Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito Joanna de Ângelis)

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

AO COMPASSO DO AMOR


No clima de ansiedade em que respiras, da vida e das coisas somente observas o lado negativo, como te propusesses, exclusivamente, ao arrolamento do pessimismo e da aflição.

Relatas que a dor mantém presença constante nos quadros da vida, parecendo asfixiar os ideais de beleza e os sonhos de elevação.

Aqui é a enfermidade dominadora, produzindo desespero e loucura; adiante se expande a anestesia do desencanto, impossibilitando os sorrisos; mais longe governa o desequilíbrio da emoção que não suporta os impactos da luta; próximo está o grito da fome ceifando vidas; ali comanda a traição... E todo um séquito de vis paixões e misérias morais tomam corpo, sobrepairando, soberanas, ante as concessões da alegria, as aspirações nobilitantes, que perduram, ainda, em alguns lutadores denodados.

Na fuga que encetas para longe das realidades legítimas, perdeste a dimensão da verdade, e se mesclam ante a tua observação caótica os valores ideais e os pressupostos verdadeiros. Por isso, tudo se te afigura conforme te sentes.

Sai, porém, da cela pessimista em que, espontaneamente, te encarceras.

Há beleza e cor em toda parte, poesia e arte em todo lugar esperando a visão dos teus olhos, a percepção dos teus ouvidos, a sensibilidade da tua emoção, antes que se embotem, demorando-se incapazes de novos registros.

Quando nos permitimos agir ao compasso do amor, não obstante o desconcerto em derredor, logramos enriquecer-nos de esperança, que nos convoca à alegria de viver.

Se o sucesso te parece tardio, espera-o ao compasso do amor.

Não programes felicidade dentro dos padrões tradicionais que a ambição já estabeleceu e os preconceitos mantêm.

Prepara-te, antes, para desfrutar no sentido positivo de todas as ocorrências, mesmo que algumas, de início, possam afigurar-se perniciosas.

O operário diligente consegue realizações com o material de que pode dispor.

O agricultor competente e pertinaz não se deixa vencer pelo solo adusto, já que conhece os recursos para transformar a terra, abençoando-a com fertilidade.

Se estás a braços com inimigos soezes ou defrontas adversários gratuitos, em compasso de amor, desculpa-os e sê cordial para com eles.

Todos são sensíveis à tolerância, à bondade, aos sentimentos da renúncia e da abnegação.

O ritmo do bem é compasso de amor.

Amor que se expande - felicidade que se espraia no país dos corações.

Higieniza o espírito e coloca no íntimo a musicalidade que cante ao compasso do amor e verás reverdecer-se a paisagem das tuas aspirações, fruindo, desde logo, as relevantes concessões da alegria pura.

(De "Celeiro de Bênçãos", de Divaldo P. Franco, pelo Espírito Joanna de Ângelis)

A EVOLUÇÃO


Que nenhuma agressão exterior te perturbe, levando-te à irritação, ao desequilíbrio.

Mantém-te sereno em todas as realizações. A tua paz é moeda arduamente conquistada, que não deves atirar fora por motivos irrelevantes.

Os tesouros reais, de alto valor, são aqueles de ordem íntima, que ninguém toma, jamais se perdem e sempre seguem com a pessoa.

Tua serenidade, tua gema preciosa.

Diante de quem te enganou, traindo a tua confiança e o teu ideal, ou envolvendo-te em malquerença mantém-te sereno.

O enganador é quem deve estar inquieto e não a sua vítima.

Nunca te permitas demonstrar que foste atingido pelo petardo da maldade alheia.

No teu círculo familiar ou social sempre defrontarás com pessoas perturbadas, confusas e agressivas.

Não te desgastes com elas, competindo nas faixas de desequilíbrio em que se fixam.

Constituem teste à tua paciência e serenidade.

Assim, exercita-te com essas situações para, mais seguro, enfrentares os grandes testemunhos e provações do processo evolutivo. Sempre, porém, com serenidade.

(De "Episódios Diários"- Divaldo Pereira Franco - Espírito Joanna de Ângelis)

sábado, 15 de agosto de 2009

AQUISIÇÃO DA PAZ

"A minha paz vos dou" - acentuou Jesus, diante dos complexos conflitos e sofrimentos humanos.

O problema da paz, no entanto, recebe enfoques, quase sempre, de resultados imediatistas, confundindo-se-lhe a realidade com o ópio do repouso, o letargo da ociosidade ou o doce encantamento dos fenômenos circunstanciais: paisagens, posturas, músicas, conversações...

Sem dúvida, esses fatores podem propiciar estados de bem-estar, de renovação de forças, de estesia.

Passados, porém, os seus efeitos, irrompem os conflitos e tormentos, assomam as necessidades não superadas, tomam campo na mente os desencantamentos em relação a pessoas e tarefas, que agora parecem não mais corresponder ao anelado.

*

A Terra prossegue sendo escola de luta e de renovação, desafiando seus habitantes que devem mudar a estrutura moral nela ainda vigente.

A paz, portanto, conforme pretendem muitos homens, apresenta-se utópica.

Só mais tarde, quando concluídos os compromissos asperamente enfrentados, é que a consciência individual despertará para a plenitude, portanto, para a paz.

Ademais, enquanto se aspira por elevação, novos embates se delineiam, impedindo o repouso, a contemplação, a paz feita de quimeras e de sonhos.

*

Trabalha pelo bem do teu próximo, suando e cansando-te na ação, sem excogitares, de início, pela aquisição imediata da paz.

Mantém-te sereno, seja onde for e com quem for, como efeito da tua segurança de fé e consciência do dever.

Não te impressiones com palavras e dissimulações, com ambientes e circunstâncias.

Aprende com a vida e fixa-te em Jesus, que nunca defrauda aqueles que O buscam.

É longo o caminho pela frente a percorrer.

Não te detenhas em relatórios da emoção que passa, e segue adiante fiel ao teu compromisso com a verdade.

"A minha paz vos deixo, a minha paz vos dou", afirmou Jesus, portanto, só Ele a pode oferecer de acordo com as tuas e as nossas necessidades.

(De "Luz da Esperança", de Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito Joanna de Ângelis)

segunda-feira, 27 de julho de 2009

NÃO ESTÁ AQUI


Não poderia haver lugar para Jesus no mundo.

"Filho de Deus", o Seu era o lugar no sublime comando da Humanidade.

Revertendo a ordem dos valores egoístas e ensinando a fraternidade legítima, não poderia ser aceito nem compreendido sequer pelos que O seguiam.

Luz imperecível em sombra densa, atraía e enceguecia por momentos.

Dosada pelo amor dominaria os corações, lentamente, para todo o sempre.

Chegando à hora das grandes e arbitrárias dominações, que ainda persistem nos países inquietos da Terra e nas mentes intranquilas das criaturas, era o semeador de estrelas em noite de trevas, a fim de que jamais houvesse medo e obscurantismo.

Toda a Sua carga de emoção fazia-se um claro duradouro de amor com que ofereceu dignidade à vida, num abundante enriquecer de esperanças.

***

Lembra-te do amor de Jesus em todas as horas da tua vida e ama sem desfalecimento.

Em soledade ou em abandono, ama.

Sob o açodar da alheia impiedade ou perseguido sem descanso, ama.

Colhido por incompreensões ou silenciado pelo vozerio dos tumultos violentos, ama.

Prossegue amando, sem preocupar-te com retribuições nem aplausos.

Sofrendo, porém, amando.

Se todos, amigos e conhecidos, ficarem contra ti, permanece a favor do bem, sem dúvida, favorável a eles.

Maltratado, não revides.

Ignorado, não te rebeles.

A árvore podada mais reverdece e o grão, esmagado na cova escura, explode em vida.

Jesus é Vida.

***

Após todas as tribulações, sevícias e dilacerações, Ele continuou afável.

Abandonado pelos comensais das Suas horas de mansidão e de misericórdia, não os repreendeu.

Em poucos dias o triunfo da entrada na cidade e o triunfo eterno, na cidade que pensava matá-Lo...

Os enganosos júbilos do domingo não O emularam, antes fizeram-No triste, quando os outros sorriam.

Sem embargo, diante das lágrimas de saudade dos que O buscavam no túmulo, Ele se encontrava em glória real na Vida.

- Que vieste ver? - inquiriram os seres angélicos a Maria de Madalena. - Ele não está aqui.

Jesus encontra-se, sem dúvida, a céu aberto, pelo mundo, renovando a psicosfera terrena e albergando os sofredores no Seu coração.

Segue-O tu.

Faze o mesmo que Ele prossegue fazendo, sem reclamar, nem desanimar nunca.

(De "Otimismo", de Divaldo P. Franco, pelo Espírito Joanna de Ângelis)

segunda-feira, 29 de junho de 2009

FUGA E REALIDADE




Graças ao processo da individualização do ser, superando as etapas primárias, na fase animal, o predomínio do ego desempenhou papel de primordial importância, trabalhando-o para vencer o meio hostil e os demais espécimes, usando a inteligência e o raciocínio como forças que o tornavam superior, deixando os remanescentes da falsa condição de dominador do meio ambiente e de tudo quanto o cerca.

Como conseqüência, passou a acreditar que também poderia dominar o corpo, estabelecendo suas metas sem lembrar-se da transitoriedade e da fragilidade da maquinaria orgânica.

Impossibilitado de governá-lo, quanto gostaria, já que o organismo tem as suas próprias leis, que independem da consciência, como a respiração, a circulação, a digestão, a assimilação e outras, esses fenômenos ferem-lhe o egotismo e levam-no, não raro, a estados depressivos perturbadores.

A mente, encarregada de proceder ao comando, experimenta então um choque com os equipamentos que direciona, em razão de ser metafísica, enquanto esses são de estrutura física, portanto, ponderáveis.

Ante a impossibilidade de exercer o seu predomínio total sobre o corpo, o ego estabelece mecanismos patológicos inconscientes de depressão, desejando extinguir aquilo que o impede de governar soberano. Trata-se de uma forma de autopunição, porquanto, dessa maneira, se realiza interiormente. Como, porém, a mente não depende do corpo, quando esse sobrevive à patologia autodestrutiva, o ego esmaece e abrem-se perspectivas de ampliação dos sentimentos, como altruísmo, fraternidade, interesse pelos demais.

O egoísmo é invejoso, porque aspirando tudo para si, lamenta o prejuízo de não conseguir quanto gostaria de deter, e por isso, inveja o corpo que não se lhe submete, preferindo matá-lo, na insânia em que se debate.

Lutar pela sobrevivência é tarefa específica da mente, entre outras, com objetivo essencial de tudo empenhar por consegui-lo. Por isso, logra superar as injunções egoísticas e ampliar o sentido e o significado da vida.

O ser humano está fadado à glória solar, acima das vicissitudes, às quais se encontra submetido momentaneamente, como resultado do seu processo evolutivo, que o domina em couraças, de que se libertará, a pouco e pouco, utilizando-se dos recursos bioenergéticos e outros que as modernas ciências da alma lhe colocam ao alcance, ajudando-o no crescimento interior e na conquista do super-ego.

(Do livro "Amor, Imbatível Amor", de Divaldo P. Franco - Joanna de Ângelis)

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Para evoluir




Que nenhuma agressão exterior te perturbe, levando-te à irritação, ao desequilíbrio.

Mantém-te sereno em todas as realizações. A tua paz é moeda arduamente conquistada, que não deves atirar fora por motivos irrelevantes.

Os tesouros reais, de alto valor, são aqueles de ordem íntima, que ninguém toma, jamais se perdem e sempre seguem com a pessoa.

Tua serenidade, tua gema preciosa.

Diante de quem te enganou, traindo a tua confiança e o teu ideal, ou envolvendo-te em malquerença mantém-te sereno.

O enganador é quem deve estar inquieto e não a sua vítima.

Nunca te permitas demonstrar que foste atingido pelo petardo da maldade alheia.

No teu círculo familiar ou social sempre defrontarás com pessoas perturbadas, confusas e agressivas.

Não te desgastes com elas, competindo nas faixas de desequilíbrio em que se fixam.

Constituem teste à tua paciência e serenidade.

Assim, exercita-te com essas situações para, mais seguro, enfrentares os grandes testemunhos e provações do processo evolutivo. Sempre, porém, com serenidade.

Livro: Episódios Diários
Joanna de Ângelis e Divaldo P. Franco

quinta-feira, 4 de junho de 2009

CONSERVA-TE EM HARMONIA


Vês esboroarem-se as antigas construções dominadoras, ao sopro do vendaval que varre a Terra.

Acompanhas a decadência dos valores éticos de alta magnitude, sob o terremoto da alucinação que se estabelece.

Assistes a volúpia do prazer descabido, em nome dos novos rumos que a sociedade se impõe.

Observas a delinqüência em crescendo, sem aparente próxima solução em pauta.

São tantos os abusos e tais aberrações, que te percebes estranho no contexto social hodierno, sentindo-te deslocado no lar, no trabalho, onde te apresentas.

Como efeito, a depressão te ameaça, o medo te assusta, os conflitos te perturbam.

Indagas, aturdido:- "Como será o futuro? Que conduta deverei assumir nestas graves circunstâncias?''

Tem calma! Harmoniza-te com o bem e aguarda.

Banhado pela fé, nada te deve perturbar.

Sustentado pela ação da caridade, que distribuas, não te desesperes.

A tua tarefa de crescimento para Deus, realizá-la-ás.

*

Joana de Cusa demonstrou sua fé, no momento do martírio, permanecendo tranqüila até o fim.

João Huss, igualmente na fogueira, compadecendo-se dos sicários que o escarneciam.

Joanna D' Arc, entre as labaredas, manteve-se harmonizada e perdoou seus algozes.

Giordano Bruno, também imolado pelo mesmo processo, ficou sereno.

Sempre houve períodos de loucura na Terra.

De quando em quando, a transição da humanidade faculta a eclosão das paixões dissolventes e alucinadas.

*

Estes são dias graves. Conduza-te com robustez, apoiado no Evangelho de Jesus, seguindo confiante.

Não te aturda a balbúrdia dos enfermos-sorridentes, dos embriagados-jubilosos, dos intoxicados-zombeteiros.

Foste conduzido a esta situação, a fim de contribuíres para a melhoria das criaturas.

O médico é útil quando surge a enfermidade, ou antes, gerando condições que possam evitar o mal. Quando já instalada a doença, a terapia corresponderá ao seu grau de gravidade.

O mestre faz-se valioso diante da ignorância do aprendiz.

O cristão é fortaleza de segurança e apoio em favor dos que necessitam de ajuda.

*

Jesus sempre esteve a braços com homens e situações, de certo modo, semelhantes a estes que enfrentas.

Foi nesse clima que Ele demonstrou a Sua grandeza, permanecendo em harmonia com os objetivos a que se entregou, sem perturbar-se, nem tergiversar em momento algum.

Assim, conserva-te em harmonia.

(Do livro "Desperte e seja feliz", de Divaldo Pereira Franco - Joanna de Ângelis)

sábado, 30 de maio de 2009

ARAR ORANDO


Narra Leão Tolstoi que um sacerdote convidou um lavrador a orar, e este, que se encontrava na gleba laborando, respondeu não poder acompanhá-lo à oração porque arava. Após meditar, obtemperou o ministro da fé religiosa: fazes bem, pois que arar é também orar...

A estória criada pelo eminente filósofo e moralista cristão tem plena aplicação na atualidade.

Ante um mundo aturdido qual o dos nossos dias, a cada instante espíritos desarvorados bradam: mais ação, menos oração. Deixemos a prece, usemos o trabalho. A miséria necessita de pão e socorro, não de palavras e orações...

Hoje, no entanto, como em todos os tempos, o utilitarismo esquece a previdência e o instantâneo é responsável pelas conseqüências funestas e graves, que advirão mediatas.

Sem dúvida, a ação edificante é geratriz da mecânica do progresso e da felicidade dos povos. Todavia, convém não olvidarmos que a oração é o lubrificante da máquina da vida.

Nem oração sem ação, nem atividade sem prece.

A medida ideal, evidentemente, será orar antes de atuar para que a ação imprevidente não conduza o desassisado à oração do desespero.

Fala-se muito em miséria social, em abandono social, em desespero social. Fala-se apenas, e, quando se age, ao invés de operar no sentido da produção do bem e da paz, muitos se precipitam no desequilíbrio, gerando ódio e anarquia. Dos escombros, porém, o soerguimento de qualquer ideal é muito mais difícil senão doloroso e demorado.

Com ponderação afirmamos que nada pior do que o idealismo desenfreado a estrugir nas mentes imaturas de muitos homens.

Nesse sentido, faz-se recomendável a reflexão e em particular a oração que enseja intercâmbio com as fontes luminosas da vida, produzindo equilíbrio e inspiração para o desenvolvimento da ação. Arar, pois, é orar também.

O solo sulcado, a terra preparada, o grão na cova e a vigilância do lavrador, por melhores condições em que se encontrem, dependem dos recursos divinos a se manifestarem no sol, na chuva ou nos granizos e no vento...

Levantemo-nos, quanto possível, através da oração lenificadora e inspirativa, para sairmos a servir e atender, agindo com segurança e acerto.

Em todos os seus passos, Jesus se nos revelou o trabalhador infatigável, por excelência, consubstanciando em atitudes desataviadas e seguras as palavras de que estavam cheios seu ideal e seu coração. Onde se encontrava, era a ação operosa e diligente. Todavia, jamais descurou de elevar-se ao Pai, através da comunhão oracional, e não poucas vezes deixou a multidão a mesma multidão famélica e atenazada a repontar através dos séculos para refugiar-se na oração. E porque considerasse a prece como medida de segurança, recomendou: Orai para não cairdes em tentação, nas tentações que enlouquecem, fazendo se desatrelem os carros das paixões desta ou daquela natureza, rotuladas também com o nome de ideal.

Joanna de Ângelis

(De "A prece segundo os Espíritos" - Divaldo Pereira Franco - Diversos Espíritos)

terça-feira, 26 de maio de 2009

VIDA FELIZ CII


Este teu cansaço contínuo, acompanhado de insatisfação e de mau humor, é um sinal vermelho de perigo em tua vida.

Resulta da maneira irregular de como vens aplicando os teus recursos e energias, sem o competente refazimento.

Não te bastará dormir, dar descanso ao corpo, se permaneceres emocionalmente inquieto, ansioso.

Assim, dê um balanço dos teus atos, medita em profundidade e perceberás que te está faltando o "pão do espírito", que nutre e reconforta.

Reorganiza a vida e busca o equilíbrio, enquanto é tempo.

(De "Vida Feliz", de Divaldo P. Franco, pelo Espírito Joanna de Ângelis).

VIDA FELIZ CXXI


Ouve com serenidade sempre que a tal sejas convocado.
Permite que o outro conclua o pensamento, não antecipando conclusões, certamente incorretas.
Nem todos sabem expressar-se com rapidez e clareza.

Escuta, portanto, com boa disposição, relevando as colocações e palavras indevidas, assim, buscando entender o que ele te deseja expor.

Se te acusa, procura a raiz do mal e extirpa-a. O diálogo deve sempre transcorrer sem azedume, deixando saldo positivo.

Se te esclarece ou ensina, absorve a lição.

Se acusa alguém, diminui a intensidade da objurgatória com expressões de conforto ao ofendido.

(De "Vida Feliz", de Divaldo P. Franco, pelo espírito Joanna de Ângelis)

VIDA FELIZ CXXX


A pontualidade, além de um dever, é também uma forma de respeito e homenagem a quem te espera ou depende de ti.

Agindo com cuidado, o tempo jamais te trairá deixando-te em atraso.

O hábito de chegar em tempo é adquirido da mesma forma que o da irregularidade de horários.

Programa os teus compromissos e desincumbe-te serenamente de todos eles, cada um de sua vez.

Quando não possas comparecer, ou tenhas que te atrasar, dize-o antes, a fim de liberar quem te aguarda.

Deste modo, quando ocorrer um imprevisto, e tenhas que chegar tarde, mesmo que não acreditem na tua justificativa, estarás em paz.

(De "Vida Feliz", de Divaldo P. Franco, pelo espírito Joanna de Ângelis)

sexta-feira, 22 de maio de 2009

A amizade



A amizade é o sentimento que imanta as almas umas às outras, gerando alegria e bem-estar.

A amizade é suave expressão do ser humano que necessita intercambiar as forças da emoção sob os estímulos do entendimento fraternal.

Inspiradora de coragem e de abnegação. a amizade enfloresce as almas, abençoando-as com resistências para as lutas.

Há, no mundo moderno, muita falta de amizade!

O egoísmo afasta as pessoas e as isola.

A amizade as aproxima e irmana.

O medo agride as almas e infelicita.

A amizade apazigua e alegra os indivíduos.

A desconfiança desarmoniza as vidas e a amizade equilibra as mentes, dulcificando os corações.

Na área dos amores de profundidade, a presença da amizade é fundamental.

Ela nasce de uma expressão de simpatia, e firma-se com as raízes do afeto seguro, fincadas nas terras da alma.

Quando outras emoções se estiolam no vaivém dos choques, a amizade perdura, companheira devotada dos homens que se estimam.

Se a amizade fugisse da Terra, a vida espiritual dos seres se esfacelaria.

Ela é meiga e paciente, vigilante e ativa.

Discreta, apaga-se, para que brilhe aquele a quem se afeiçoa.

Sustenta na fraqueza e liberta nos momentos de dor.

A amizade é fácil de ser vitalizada.

Cultivá-la, constitui um dever de todo aquele que pensa e aspira, porquanto, ninguém logra êxito, se avança com aridez na alam ou indiferente ao elevo da sua fluidez.

Quando os impulsos sexuais do amor, nos nubentes, passam, a amizade fica.

Quando a desilusão apaga o fogo dos desejos nos grandes romances, se existe amizade, não se rompem os liames da união.

A amizade de Jesus pelos discípulos e pelas multidões dá-nos, até hoje, a dimensão do que é o amor na sua essência mais pura, demonstrando que ela é o passo inicial para essa conquista superior que é meta de todas as vidas e mandamento maior da Lei Divina.

(Do livro "Momentos de Esperança", de Divaldo Pereira Franco - Joanna de Ângelis)

VIDA FELIZ CXLI


Dose com cuidado as tuas emoções.

Uma atitude afetada é sempre desagradável, tanto quanto o retraimento injustificável é responsável por muitas dificuldades no relacionamento social.

A afetação é distúrbio de conduta, e o retraimento é sintoma de insegurança.

Auto-analisa-te com carinho e sinceridade, buscando superar as ansiedades e os temores que respondem pelo teu comportamento.

Atitudes tranqüilas são resultado de realização íntima, que somente conseguirás mediante exercícios de prece, paciência e meditação.

Assim, o controle das tuas emoções se fará possível.

(De "Vida Feliz", de Divaldo P. Franco, pelo Espírito Joanna de Ângelis)

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

SOLIDÃO


Espectro cruel que se origina nas paisagens do medo, a solidão é , na atualidade, um dos mais graves problemas que desafiam a cultura e o homem.

A necessidade de relacionamento humano, como mecanismo de afirmação pessoal, tem gerado vários distúrbios de comportamento, nas pessoas tímidas, nos indivíduos sensíveis e em todos quantos enfrentam problemas para um intercâmbio de idéias, uma abertura emocional, uma convivência saudável.

Enxameiam, por isso mesmo, na sociedade, os solitários por livre opção e aqueloutros que se consideram marginalizados ou são deixados à distancia pelas conveniências dos grupos.

A sociedade competitiva dispõe de pouco tempo para a cordialidade desinteressada, para deter-se em labores a benefício de outrem.

O atropelamento pela oportunidade do triunfo impede que o indivíduo, como unidade essencial do grupo, receba consideração e respeito ou conceda ao próximo este apoio, que gostaria de fruir.

A mídia exalta os triunfadores de agora, fazendo o panegírico dos grupos vitoriosos e esquecendo com facilidade os heróis de ontem, ao mesmo tempo que sepultam os valores do idealismo, sob a retumbante cobertura da insensatez e do oportunismo.

O homem, no entanto, sem ideal, mumifica-se. O ideal é-lhe de vital importância, como o ar que respira.

O sucesso social não exige, necessariamente, os valores intelecto-morais, nem o vitalismo das idéias superiores, antes cobra os louros das circunstâncias favoráveis e se apóia na bem urdida promoção de mercado, para vender imagens e ilusões breves, continuamente substituídas, graças á rapidez com que devora as suas estrelas.

Quem, portanto, não se vê projetado no caleidoscópio mágico do mundo fantástico, considera-se fracassado e recua para a solidão, em atitude de fuga de uma realidade mentirosa, trabalhada em estúdios artificiais.

Parece muito importante, no comportamento social, receber e ser recebido, como forma de triunfo, e o medo de não ser lembrado nas rodas bem sucedidas, leva o homem a estados de amarga solidão, de desprezo por si mesmo.

O homem faz questão de ser visto, de estar cercado de bulha, de sorrisos embora sem profundidade afetiva, sem o calor sincero das amizades, nessas áreas, sempre superficiais e interesseiras. O medo de ser deixado em plano secundário, de não ter para onde ir, com quem conversar, significaria ser desconsiderado. Atirado à solidão.

Há uma terrível preocupação para ser visto, fotografado, comentado, vendendo saúde, felicidade, mesmo que fictícia.

A conquista desse triunfo e a falta dele produzem solidão.

O irreal, que esconde o caráter legítimo e as lídimas aspirações do ser, conduz à psiconeurose de autodestruição.

A ausência do aplauso amargura, face ao conceito falso em torno do que se considera, habitualmente como triunfo. Há terrível ânsia para ser-se amado, não para conquistar o amor e amar, porém para ser objeto de prazer, mascarado de afetividade. Dessa forma, no entanto, a pessoa se desama, não se torna amável nem amada realmente.

Campeia, assim, o "medo da solidão", numa demonstração caótica de instabilidade emocional do homem, que parece haver perdido o rumo, o equilíbrio.

O silêncio, o isolamento espontâneo, são muito saudáveis para o indivíduo, podendo permitir-lhe reflexão, estudo, auto- aprimoramento, revisão de conceitos perante a vida e a paz interior.

O sucesso, decantado como forma de felicidade, é, talvez, um dos maiores responsáveis pela solidão profunda.

Os campeões de bilheteira, nos shows, nas rádios, televisões e cinemas, os astros invejados, os reis dos esportes, dos negócios, cercam-se de fanáticos e apaixonados, sem que se vejam livres da solidão.

Suicídios espetaculares, quedas escabrosas nos porões dos vícios e dos tóxicos comprovam quanto eles são tristes e solitários. Eles sabem que o amor, com que os cercam, traz, apenas, apelos de promoção pessoal dos mesmos que os envolvem, e receiam os novos competidores que lhes ameaçam os tronos, impondo-lhes terríveis ansiedades e inseguranças, que procuram esconder no álcool, nos estimulantes e nos derivativos que os mantém sorridentes, quando gostariam de chorar, quão inatingidos, quanto se sentem fracos e humanos.

A neurose da solidão é doença contemporânea, que ameaça o homem distraído pela conquista dos valores de pequena monta, porque transitórios.

Resolvendo-se por afeiçoar-se aos ideais de engrandecimento humano, por contribuir com a hora vazia em favor dos enfermos e idosos, das crianças em abandono e dos animais, sua vida adquiriria cor e utilidade, enriquecendo-se de um companheirismo digno, em cujo interesse alargar-se-ia a esfera dos objetivos que motivam as experiências vivenciais e inoculam coragem para enfrentar-se, aceitando os desafios naturais.

O homem solitário, todo aquele que se diz em solidão, exceto nos casos patológicos, é alguém que se receia encontrar, que evita descobrir-se, conhecer-se, assim ocultando a sua identidade na aparência de infeliz, de incompreendido e abandonado.

A velha conceituação de que todo aquele que tem amigos não passa necessidades, constitui uma forma desonesta de estimar, ocultando o utilitarismo sub-reptício, quando o prazer da afeição em si mesma deve ser a meta a alcançar-se no inter-relacionamento humano, com vista à satisfação de amar.

O medo da solidão, portanto, deve ceder lugar à confiança nos próprios valores, mesmo que de pequenos conteúdos, porém significativos para quem os possui.

Jesus, o Psicoterapeuta Excelente, ao sugerir o "amor ao próximo como a si mesmo" após o "amor a Deus" como a mais importante conquista do homem, conclama-o a amar-se, a valorizar-se, a conhecer-se, de modo a plenificar-se com o que é e tem, multiplicando esses recursos em implementos de vida eterna, em saudável companheirismo, sem a preocupação de receber resposta equivalente.

O homem solidário, jamais se encontra solitário.

O egoísta, em contrapartida, nunca está solícito, por isto, sempre atormentado.

Possivelmente, o homem que caminha a sós se encontre mais sem solidão, do que outros que, no tumulto, inseguros, estão cercados, mimados, padecendo disputas, todavia sem paz nem fé interior.
A fé no futuro, a luta por conseguir a paz intima - eis os recursos mais valiosos para vencer-se a solidão, saindo do arcabouço egoísta e ambicioso para a realização edificante onde quer que se esteja.

(De "O Homem Integral", de Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito Joanna de Ângelis)