segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

COM TODO AMOR


Era sim. Eu era a teimosia em pessoa.Lembra-se, Mãezinha, de quando me ocultava para fugir de você?Escutava seus gritos, suas palavras ternas:

- "Venha cá, Mamãe está chamando..."

Ouvia tudo e arrancava-me para longe.E quando me achava de novo em casa era bastante que o seu olhar indagador me fitasse para que me pusesse a agredir:

- "Você, Mamãe, não me entende... Nunca entendeu... Nada. Quero viver minha vida que é diferente da sua. Deixe-me em paz..."

Percebia que os seus olhos se erguiam para mim, molhados de lágrimas que não chegavam a cair, sem qualquer palavra de reprovação ou de queixa.Hoje que a experiência me renovou, creio que o seu silêncio deveria ser uma conversa com Deus a meu respeito, que eu não procurava, nem queria compreender.

Agora, porém, anseio confessar que todas as minhas frases trocadas de aspereza e de ingratidão eram mentira pura.Por que passaria tanto tempo sem que eu lhe dissesse isto?Em verdade, nunca encontrei um amor igual ao seu.A vida nos separou com a rudeza da tesoura que corta um ramo florido da árvore em que nasceu. Qual sucede à flor arrebatada aos braços da fronde, muitos disseram que eu ia para a festa...Entretanto, de todas as festas a que o mundo me conduziu, sempre me retirei com mais sede da sua ternura, da sua ternura transitoriamente perdida.

Seu amor está em meu coração, como a vida que se entranha em minhalma.

Seus gestos de carinho permanecem comigo como estrelas no céu noturno.Perdoe-me pelas cruzes da aflição que dependurei no seu peito, mas ouça, Mãezinha !...

Deus não permitirá que o seu sacrifício tenha sido em vão.Venho beijar-lhe os cabelos que a prata do tempo começou a enfeitar de luz e, ao rever-me no espelho cristalino do seu olhar, observo quanto mudei !...

Ampara-me, não me abandone !...

E se posso pedir alguma coisa com o pranto de meu reconhecimento, rogo incline os ouvidos para os meus lábios. Anseio revelar um segredo...

Unicamente entre nós. Você e eu...

Isto agora é tudo quanto quero falar.

- Você, Mãezinha, sempre me compreendeu...

Sei agora que nunca nos separamos. Abrace-me...

Está sentindo?Meu coração está pulsando pelo seu coração...

Abrace-me... Mais ainda !...

Tenho fome do seu amor...

Abençoe-me, ensine-me a conversar também com Deus e deixe que eu diga que nunca serei feliz sem você.

Maria Dolores

(De "OS DOIS MAIORES AMORES", de Francisco Cândido Xavier - Autores diversos)
Pessoal para refletir: muitas vezes eu também ouço da minha mãe dizer que só valorizamos quando perdemos, bom essa mensagem faz a gente pensar duas vezes antes de fazer uma malcriação, e para quem já tem sua maezinha na pátria da verdade, essa mensagem também pode servir como oração... beijos fraternos

2 comentários:

Wilian Mendes disse...

Belo texto. Profundo e reflexivo.

Baby disse...

Willian, obrigada por me visitar, eu tb achei texto muito bom, e toca meu coração pq muitas vezes eu sou assim meio q rebelde rss beijosss