segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

A libertação da borboleta


A doutora Elisabeth Kübler-Ross, psiquiatra de origem suíça, especializou-se em doentes terminais. Assistindo centenas de crianças que estavam morrendo, ela nos diz que devemos aprender a ouvir.Ouvir o que a criança expressa verbalmente. E mesmo aquilo que ela transmite pela linguagem não verbal.
Crianças terminais, conta ela, sabem quando vão morrer. E precisam de algum atendimento especial.
Atendimento que só o amor incondicional pode dar.Falando de sua experiência, narra que conheceu um menino que aos nove anos se encontrava à beira da morte.Portador de câncer, desde os 3 anos de idade, Jeffy nem conseguia mais olhar para as agulhas de injeção.Tudo era doloroso para ele. No hospital, esperava a morte. O médico sugeriu que se iniciasse uma nova quimioterapia.Mas o menino pediu: "quero ir para casa, hoje."Os pais optaram por lhe satisfazer a vontade.Quando Jeffy chegou em casa, pediu ao pai que descesse da parede da garagem a sua bicicleta.Durante muito tempo, seu sonho tinha sido andar de bicicleta.O pai a comprou, mas por causa da doença ele nunca pode andar.A dificuldade era imensa, até mesmo para se manter em pé, então Jeffy pedalou a bicicleta com o amparo das rodinhas auxiliares.Disse que iria dar uma volta no quarteirão e que ninguém o segurasse. Ele desejava fazer aquilo sozinho.
A médica que o acompanhava, a mãe e o pai ficaram ali, um segurando o outro. A vontade era de segui-lo.Ele era uma criança muito vulnerável. Poderia cair, se machucar, sangrar.Ele se foi. Uma eternidade depois, ele voltou, o homem mais orgulhoso que se possa ter visto um dia.Sorria de orelha a orelha. Parecia ter ganho a medalha de ouro nas olimpíadas.Sereno, pediu ao pai que retirasse as rodinhas auxiliares e levasse a bicicleta para seu quarto. E quando seu irmão chegasse, era para ele subir para falar com ele.Queria falar com o irmão a sós. Tudo aconteceu como ele pediu.Ao descer, o irmão recusou-se a dizer aos pais o que haviam conversado.
Uma semana depois, Jeffy morreu. E, na semana seguinte, era o aniversário do irmão. Foi aí que o menino contou o que tinha acontecido naquele dia.Jeffy dissera a ele que queria ter o prazer de lhe dar pessoalmente sua amada bicicleta.Mas não podia esperar mais duas semanas, até o aniversário dele, porque então já teria morrido.Por isso, a dava agora. Entretanto, havia uma condição: que ele nunca usasse aquelas rodinhas auxiliares, próprias para crianças bem pequenas.Quando os pais souberam de tudo, sentiram muita tristeza. Uma tristeza sem medo, sem culpa, sem lamentar.Eles tinham a agradável lembrança do filho dando a sua volta de bicicleta pelo quarteirão.E mais do que isso: o sorriso feliz no rosto de Jeffy, que foi capaz de conseguir sua grande vitória em algo que a maioria encara como comum.

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Dizemos que uma pessoa é como o casulo de uma borboleta. O casulo é o que ela vê no espelho. É apenas uma morada temporária do ser imortal.Quando esse casulo fica muito danificado, o ser o abandona.É como a borboleta que se liberta do casulo.Deixar o ser amado partir sereno, só é possível aos corações que amam de forma incondicional e verdadeira.

Equipe de Redação do Momento Espírita, com base no cap. O casulo e a borboleta (Jeffy), do livro O túnel e a luz, de Elisabeth Kübler-Ross, ed. Verus.

www.momento.com.br

2 comentários:

Du disse...

Nossa Baby...que lindo isso!!!
E falando em borboletas, veja meu post de agora, ouça a música!!!

Beijos querida!!!!

baby disse...

Du, eu li bem rápido o post e nem deu pra ouvir a música ianda, mas depois vou com calma ler e deixar meu beijo fraterno la no NOrte, beijao